Estimativa da XP mostra que a maior parte dos 12,7 bilhões de reais da negociação com a chinesa Huaxin deverá ser absorvida por obrigações financeiras
Por Machado da Costa
A venda da CSN Cimentos para a chinesa Huaxin Building Materials Group poderá aliviar substancialmente o endividamento do grupo de Benjamin Steinbruch, mas o dinheiro efetivamente disponível para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deverá ser muito inferior ao valor anunciado para a operação. Segundo estimativas da XP Investimentos, dos 12,7 bilhões de reais atribuídos à cimenteira, aproximadamente 3,3 bilhões de reais poderão se traduzir em recursos líquidos disponíveis para a controladora, depois de considerados compromissos financeiros relacionados ao negócio.
A diferença decorre principalmente da estrutura de endividamento do grupo. A XP calcula que entre 6 bilhões e 6,5 bilhões de reais poderão ser destinados à amortização antecipada de um empréstimo-ponte contratado pela CSN. Outros 2,9 bilhões de reais correspondem à dívida líquida da própria operação de cimentos. Na prática, o valor de empresa utilizado como referência para a negociação não equivale ao montante que ingressará livremente no caixa da companhia.
Isso não reduz a importância financeira da venda. Nas contas da XP, a operação poderia diminuir a dívida líquida consolidada da CSN de 42,1 bilhões para 29,4 bilhões de reais. A relação entre dívida líquida e Ebitda passaria de aproximadamente 3,5 para 2,8 vezes, considerando também a retirada da contribuição operacional da cimenteira. O efeito, portanto, seria muito mais expressivo sobre o endividamento do que sobre a disponibilidade imediata de recursos.
A própria avaliação de risco de crédito continua exigindo cautela. Em análise separada, a área de renda fixa da XP calcula que a alavancagem ajustada, que inclui obrigações como arrendamentos, risco sacado e adiantamentos de clientes, poderia recuar de 5,15 para 4,64 vezes. A instituição também aponta a possibilidade de novas amortizações e recompras de títulos da dívida, em um cenário no qual a sustentabilidade financeira do grupo continuará dependendo de outros desinvestimentos e da geração operacional de caixa.
A CSN anunciou em 30 de outubro um acordo de exclusividade de dez dias com a Huaxin, vencedora do processo competitivo pela cimenteira, com a expectativa de assinar os documentos definitivos nos dias seguintes. Até a conclusão contratual, os valores efetivamente recebidos e a destinação dos recursos permanecem sujeitos às condições finais da transação. Para Steinbruch, a operação representa um avanço importante na reorganização financeira do grupo, mas não encerra a necessidade de reduzir a dívida acumulada nos últimos anos.
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https://veja.abril.com.br/economia/venda-bilionaria-da-csn-cimentos-pode-deixar-so-33-bilhoes-em-caixa/





