Guilherme Ravache
Um grupo de grandes editoras entrou com uma ação judicial contra o Google, acusando a empresa de usar ilegalmente milhões de livros protegidos por direitos autorais para treinar modelos do Gemini, no que classificam como "uma das maiores violações de direitos autorais da história".
Ao mesmo tempo, um número crescente de veículos de imprensa nos Estados Unidos avalia abandonar completamente o Google. Com a IA, o acordo tácito de que os publishers produziam conteúdo e o Google traria tráfego e receita foi destruído.
Não foi apenas a audiência que caiu. Segundo dados da Ozone, a oferta de anúncios de veículos caiu até 40% no segundo trimestre, com a IA reduzindo cada vez mais o tráfego para a web aberta.
E a IA traz outros e novos desafios. A enxurrada de vídeos criados por IA no TikTok, que basicamente virou um canal de vendas por conta do TikTok Shop, tem causado conflitos entre criadores, marcas e a própria plataforma. Especialistas afirmam que conter essa proliferação ainda é, na prática, quase impossível.
Pior, o retorno dos investimentos em IA é incerto. O Google matou as buscas por links e por tabela os publishers. Mas como descreve Alex Reisner em seu artigo "IA Generativa É um Desastre de Engenharia", publicado na The Atlantic, a conta dificilmente vai fechar.
Reisner explica que o problema central, segundo o próprio jargão da indústria, é que a IA generativa "não escala". Ao contrário de streaming, smartphones ou nuvem, que cresceram sem provocar uma explosão de investimentos semelhante, os modelos ficam mais lentos e vorazes conforme recebem mais dados.
A IA escala de forma quadrática, e não logarítmica como um bom software. Ainda assim, a indústria aposta em modelos cada vez maiores (de 175 bilhões de parâmetros em 2020 para mais de 1 trilhão) com base numa crença totêmica nas "leis de escala", mesmo com retornos decrescentes e custos crescentes. Como os investimentos bilionários favorecem essa abordagem de força bruta e de baixo risco, há pouca disposição para reengenharia. Isso alimenta suspeitas de bolha e deixa em aberto a própria lucratividade dessas empresas.
Por critérios econômicos e de engenharia, dizem especialistas, a IA generativa pode ser a pior tecnologia já implantada.
Na próxima semana, o Google reporta resultados. Dependendo do que seus números mostrarem, poderá ter o mesmo destino da IBM. Na terça-feira, a centenária empresa perdeu 25% de seu valor de mercado ao adiantar que teve uma queda de 7% nas vendas. O motivo da queda foi a IBM revelar que seus clientes estavam deixando de comprar software e mainframes para investir em chips e data centers para IA vendidos por empresas como Nvidia, SH Hynix e Samsung.
Foi o pior dia da história da IBM na bolsa. Impressionantes US$ 70 bilhões viraram pó em um único pregão. Se algo semelhante acontecer ao Google, os editores que já têm cada vez menos razões para permanecerem na plataforma, terão ainda menos motivos. O natural é que o Google aperte a conta e corte custos para entregar lucros e pagar as dezenas de bilhões que já investiu em IA.
Ou seja, a conta que já é ruim, pode ficar pior.
Se você é publisher e ainda não tem uma estratégia para viver sem o Google, corre um sério risco.
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Oferta de anúncios de publishers caiu até 40% no 2º trimestre com a busca por IA sufocando a web aberta
Segundo dados da Ozone (que rastreou ~20 bilhões de impressões de publishers premium como Guardian, News UK e Wall Street Journal), a oferta de anúncios caiu drasticamente no 2º trimestre de 2026: as solicitações de anúncios recuaram cerca de 32%-37% em base anual nos EUA e 39%-41% no Reino Unido. No primeiro semestre, o investimento programático combinado caiu 30,6%.
A causa principal é a queda do tráfego de referência, já que buscadores e redes sociais (sobretudo o Google, com respostas geradas por IA) passaram a entregar o conteúdo na própria plataforma, em vez de direcionar o usuário ao site de origem. Menos cliques significam menos pageviews e, portanto, menos anúncios para vender.
Parte dos publishers também está reduzindo voluntariamente o volume de anúncios e o piso dos lances em leilão para proteger a qualidade do inventário e o preço.
Mesmo com a oferta encolhendo, o eCPM médio subiu (cerca de 30% no Reino Unido e 7% nos EUA em junho), sinal de que os compradores estão pagando mais pelo inventário que resta.
https://digiday.com/media/publisher-ad-supply-fell-by-up-to-40-in-q2-as-ai-search-choked-the-open-web/
Vídeos feitos com IA estão inundando o TikTok Shop
O aumento de vídeos gerados por IA sobre produtos no TikTok Shop provoca tensão entre criadores, marcas e a plataforma.
O TikTok oferece ferramentas de inteligência artificial para vendedores na plataforma, um marketplace multibilionário onde a empresa e os criadores recebem uma comissão por cada venda gerada, como forma de impulsionar ainda mais os negócios.
Embora a plataforma exija identificação do uso de IA e proíba informações enganosas, especialistas dizem que cabe às marcas monitorar esse conteúdo e que impedir sua proliferação ainda é praticamente impossível.
Reportagem de Patrick Coffee, no The Wall Street Journal. Leia na íntegra: https://www.wsj.com/cmo-today/ai-videos-are-flooding-tiktok-shop-c86a88e0
O que os algoritmos das redes sociais fazem com o seu cérebro sem o seu consentimento
Os algoritmos das redes sociais são projetados para aumentar seu tempo na plataforma. Para isso, exploram diversos mecanismos psicológicos que influenciam emoções, hábitos e comportamentos.
Na prática, engajamento não significa felicidade, satisfação ou informação, mas os estados emocionais específicos que levam à continuidade da rolagem.
Dentre os principais mecanismos de algoritmo e design criados para manter os usuários online estão:
- A otimização por engajamento amplifica a indignação: conteúdos que despertam raiva e medo recebem mais alcance;
- Sistemas de recompensa variável produzem verificação compulsiva: notificações e novidades imprevisíveis incentivam checagens constantes;
- A rolagem infinita elimina os pontos de parada: sem pausas naturais, a tendência é continuar rolando o feed;
- O design das notificações cria ansiedade em torno da ausência: o FOMO (medo de ficar de fora) estimula retornos frequentes ao aplicativo;
- Conteúdos de comparação são promovidos algoritmicamente: o feed prioriza os melhores momentos dos outros, intensificando comparações sociais.
Reportagem de Colleen Cabili, no Quartz. Leia na íntegra: https://qz.com/social-media-algorithms-why-you-feel-this-way#20-things-social-media-algorithms-do-to-your-brain-that-you-didnt-agree-to
Com colaboração de Jessica Anjos e Vitória Tedeschi.





