Polymarket gira R$ 1,3 bi com eleição e aposta sobre futuro de Flávio

Polymarket gira R$ 1,3 bi com eleição e aposta sobre futuro de Flávio

Movimento se aproxima da eleição para prefeito de Nova York, mas ainda está longe do pleito presidencial americano


Por Felipe Frisch - São Paulo

A eleição brasileira movimentou US$ 249 milhões (R$ 1,3 bilhão) em apostas na Polymarket, sendo US$ 48,5 milhões para um cenário de vitória de Lula e US$ 62 milhões para a escolha de Flávio Bolsonaro, e o restante incluindo até candidaturas que não se confirmaram para a presidência como a de Tarcísio de Freitas (US$ 15 milhões) e Michelle Bolsonaro (US$ 10 milhões), empatada com Eduardo Bolsonaro e Ratinho Júnior. O ganho de cada usuário depende do momento em que entrou.

Os números, embora expressivos, ainda são distantes do que movimenta o pleito americano, que só com a previsão de quem será o candidato democrata nas eleições de 2028 já mobiliza US$ 1,3 bilhão (R$ 6,9 bilhões), mais US$ 721 milhões em apostas sobre o eleito de fato. A escolha mais recente do prefeito de Nova York registrou US$ 430 milhões na plataforma. Das apostas que mencionam o Brasil, as da eleição só perdem para as do país vencedor da Copa, que girou US$ 4,4 bilhões, sendo US$ 82 milhões na seleção canarinho.

Ainda incipientes são as apostas sobre o futuro de Flávio, com 43% acreditando que ele será recebido por Donald Trump ainda neste ano e 60% acreditando que o governo americano concederá asilo político para o candidato derrotado do PL, que fugiu para os Estados Unidos após receber a ordem para entrega de passaporte do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Polymarket adota um sistema de fees que varia conforme o tipo de mercado e a probabilidade atribuída a cada resultado. Nos mercados políticos sujeitos à cobrança, a comissão pode chegar a 1% do valor negociado, atingindo o percentual máximo quando as chances de um evento ocorrer estão em 50%.

Tela da Polymarket com apostas para eleição presidencial de 2026 com segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução
Tela da Polymarket com apostas para eleição presidencial de 2026 com segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução

A plataforma não fica com o valor dos perdedores como um cassino ou uma bet, sendo o valor investido totalmente distribuído para os que acertaram o "sim" do evento de referência. A Polymarket tem capital fechado, mas a ferramenta de inteligência financeira Sacra estima um faturamento anual de US$ 1 bilhão e valuation de US$ 15 bilhões.

Procurada por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil, a Polymarket se define como uma "plataforma global que disponibiliza dados gerados por mercados preditivos" em que "os usuários negociam contratos sobre os resultados de eventos, e essa atividade de negociação determina as probabilidades exibidas na plataforma", que "não constituem pesquisas de opinião nem projeções oficiais e não representam apoio a qualquer candidatura".

No Brasil, os mercados preditivos foram proibidos em abril, após o governo federal determinar o bloqueio de 27 plataformas incluindo Polymarket e Kalshi, por considerar que não se enquadram na legislação brasileira de apostas. A medida foi acompanhada de resolução do Conselho Monetário Nacional que proíbe a oferta e a negociação no Brasil de contratos derivativos vinculados a resultados políticos, eleitorais, esportivos e de entretenimento.

"A Polymarket mantém diálogo com reguladores de diferentes países sobre o desenvolvimento de regras adequadas para os mercados preditivos. No Brasil, está aberta a contribuir com sua experiência técnica nas discussões com as autoridades, considerando a natureza informacional dessa categoria, bem como a transparência, a integridade de mercado e a proteção dos usuários", diz a nota da empresa.

Pipeline
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