Em evento promovido pelo grupo Esfera e Prerrogativas com comparecimento acima do previsto, presidente volta a se comprometer com auteridade fiscal; Alckmin chama petista de 'vocacionado para o futuro'
Por Vera Magalhães - São Paulo
O presidente Lula fez nesta sexta-feira em jantar com mais de 700 pessoas em São Paulo um histórico de realizações de seus três mandatos, afirmou que foi em seus governos que o Brasil mais cresceu e voltou a dizer que aprendeu economia com sua mãe, dona Lindu, e sabe que não se deve gastar mais do que se arrecada.
- Gestão das contas é obrigação nossa, não é nem mérito. Austeridade fiscal é obrigatório - afirmou. - Às vezes acho engraçado cobrarem da gente responsabilidade fiscal e se esquecerem que herdamos esse país com 2,8% de déficit. E este ano entregamos com superávit de 1,4%. É pouco? É. Mas é o sinal de que encontramos o caminho para voltar a fazer superávit.
Ele disse que tem o "sonho" de transformar o Brasil em um país de classe média. Que quanto mais as pessoas consumirem, mais o país vai crescer.
- Se a gente não tem responsabilidade social, a gente não tem responsabilidade fiscal. O que está em jogo é se vamos governar este país apenas para 35% ou para todos.
- Qual é a dúvida? Se vocês tivessem de escolher entre mim e um gênio, é uma coisa. Mas não é isso que está na mesa. Isso não é um jogo de truco, que você fala 'eu vou blefar'. Se você blefar, você vai quebrar a cara - disse o presidente.
Lula afirmou que um país precisa ter estabilidade política, e para ter estabilidade política o governante precisa ter biografia e um partido. Declarou também que "o que está em jogo é se vamos aprofundar as mudanças ou a barbárie".
O presidente ainda exaltou o vice, Geraldo Alckmin:
- Essa dupla aqui é melhor que tudo que está na mesa. Aqui está o zap e o sete copas - disse Lula abraçando Alckmin, se referindo às cartas mais fortes do jogo de truco.
O comparecimento ao jantar, promovido pelos grupos Esfera e Prerrogativas, foi acima do previsto, com uma plateia composta majoritariamente por empresários de vários setores, mas também por representantes do setor financeiro e de advogados, médicos, intelectuais e políticos.
O "overbooking" levou a uma mudança de formato e, no lugar das tradicionais mesas, a comida foi servida em bowls que as pessoas equilibravam no colo, acomodadas em cadeiras dispostas no modelo de auditório.
O cerimonial previu falas de muitos dos que compuseram a mesa principal, o que dispersou a plateia e atrasou o discurso de Lula.
Ministros e presidentes de bancos públicos que antecederam o presidente ressaltaram medidas de crescimento e de austeridade fiscal, para contrapor a visão disseminada em setores do empresariado e do mercado de que o governo Lula não tem compromisso com controle de gastos e da dívida pública.
As únicas falas que entusiasmaram o público antes de Lula foram a do presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, e a do vice-presidente, Geraldo Alckmin.
Mercadante comparou os dados fiscais dos governos Lula e Bolsonaro e lembrou os sucessivos déficits entregues pelo ex-presidente. Também alertou para os riscos institucionais com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.
Alckmin listou realizações do governo em todas as áreas.
- Cresceu a renda, sobretudo a renda das mulheres. Avançamos em muitos setores - disse.
Afirmou que Lula é um homem "vocacionado para o futuro".
- Presidente Lula, este é o seu tempo. É o tempo da conciliação, que só faz quem é vocacionado ao diálogo - disse Alckmin.
O vice disse que o crescimento do PIB, juntamente com o combate aos desperdícios e privilégios, fará a dívida pública cair, e não os cortes em programas sociais ou em investimentos, pois não se pode cortar gastos provocando recessão.
Num dia de amplo debate no campo religioso, no qual foi participante, citou Santo Agostinho para pregar contra a corrupção.
Terminou com uma nota engraçada, ao dizer que o prato servido no jantar seria "lula com chuchu".
Apesar de terem atrasado a fala de Lula, os discursos de ministros e presidentes de banco foi pensada para mostrar "que existe institucionalidade e projeto de desenvolvimento para o país" no governo, enquanto o adversário só teria a incitação ao confronto e o revanchismo contra as instituições a oferecer.
Mercadante também instou os presentes a "compararem os vices" de Lula e Flávio.
No público, estavam presentes grandes nomes do empresariado, como Joesley Batista, Rubens Ometto, Lírio Parisotto, Gustavo Pimenta, presidente da Vale, Ivan Monteiro, presidente da Axia (ex-Eletrobrás) e Milton Malouhy, CEO do Itaú.
Também estavam presentes o ex-constituinte Almino Afonso, de 97 anos, uma das filhas de Fernando Henrique Cardoso, Beatriz, e Eugênio Augusto Montoro, filho de Franco Montoro. Alckmin fez uma "homenagem afetiva" a FHC, momento muito aplaudido.
O Globo
https://oglobo.globo.com/blogs/vera-magalhaes/post/2026/09/lula-a-empresarios-qual-a-duvida-se-voces-tivessem-de-escolher-entre-mim-e-um-genio-e-uma-coisa-nao-e-isso-que-esta-na-mesa.ghtml





