Um petroleiro está ancorado no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela, na segunda-feira, 31 de agosto de 2026 AP/Ariana Cubillos |
Veja os principais pontos do acordo de petróleo entre EUA e Venezuela

Veja os principais pontos do acordo de petróleo entre EUA e Venezuela

Pelo pacto, americanos assumirão o controle de mais de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas de petróleo

Por Jake Lloyd-Smith, Em Bloomberg

A Casa Branca do presidente Donald Trump classificou como o "maior acordo de petróleo da história" o pacto com a Venezuela pelo qual os Estados Unidos assumirão o controle de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo do país.

O acordo, que provocou críticas de setores linha-dura e de forças de oposição na Venezuela, garantirá o fornecimento de petróleo de baixo custo aos EUA, segundo um documento informativo divulgado pela Casa Branca na segunda-feira. O pacto foi assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Os potenciais fluxos de petróleo para os EUA, sustentados por um aumento esperado da produção venezuelana, serão usados para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo, segundo o comunicado. O acordo também deve impulsionar os negócios de refinarias americanas e fabricantes de equipamentos para campos de petróleo.

"Este acordo garante nosso domínio energético para o próximo século - tudo isso sem nenhum custo para os Estados Unidos", afirmou a Casa Branca. O pacto criará "cadeias de suprimentos robustas, estratégicas e defensáveis em nosso hemisfério", efetivamente afastando empresas russas e chinesas, acrescentou.

Veja a seguir os principais pontos do documento informativo sobre como o acordo será estruturado, o que ele pode significar para os EUA e a Venezuela e como deve se encaixar nos planos do governo Trump para ampliar sua influência na América Latina.

Chamas saem das tochas da refinaria de Amuay, em Los Taques, Venezuela, em 14 de janeiro de 2026 - Foto: AP Photo/Matias Delacroix, Arquivo
Chamas saem das tochas da refinaria de Amuay, em Los Taques, Venezuela, em 14 de janeiro de 2026 - Foto: AP Photo/Matias Delacroix, Arquivo

Como o acordo está estruturado

As autoridades interinas da Venezuela concederam à North American Blue Energy Partners (Nabep), uma empresa privada, concessões de 100 anos para 17 campos de petróleo com reservas comprovadas de aproximadamente 65 bilhões de barris.

Em contrapartida, a Nabep concedeu ao Escritório de Capital Estratégico dos EUA uma participação acionária de 35% em sua controladora. Isso representa "até centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os Estados Unidos", segundo o documento.

A Nabep também concedeu ao Departamento de Estado o direito de comprar, a preço de custo de produção, 20% do petróleo produzido em todos os campos atuais e futuros operados pela empresa. Esse petróleo poderia ajudar a recompor a Reserva Estratégica de Petróleo.

O Departamento de Estado, além disso, tem direito de preferência para comprar os 80% restantes da produção da Nabep. Isso poderia proporcionar uma "fonte garantida de energia em nosso hemisfério em situações de emergência", afirmou a Casa Branca.

Os EUA têm poder de veto sobre a nomeação dos diretores da Nabep, cuja maioria deve ser composta por cidadãos americanos. O acordo é regido pelas leis dos EUA e está sujeito à jurisdição dos tribunais americanos.

O navio Nave Photon, que transporta petróleo bruto da Venezuela, está atracado no Porto de Freeport, em Freeport, Texas, Estados Unidos, em 15 de janeiro de 2026 - Foto: REUTERS/Antranik Tavitian/Foto de arquivo
O navio Nave Photon, que transporta petróleo bruto da Venezuela, está atracado no Porto de Freeport, em Freeport, Texas, Estados Unidos, em 15 de janeiro de 2026 - Foto: REUTERS/Antranik Tavitian/Foto de arquivo

O que o acordo pode significar para a Venezuela

A Nabep planeja aumentar a produção investindo até US$ 100 bilhões em nova infraestrutura petrolífera. Isso ajudará a impulsionar o crescimento econômico, sustentar milhares de empregos na Venezuela e estimular a atividade econômica de forma mais ampla, segundo a Casa Branca.

As concessões da Nabep são regidas pela nova lei de hidrocarbonetos venezuelana, que foi implementada com apoio de Washington. Nos primeiros 25 anos, a expectativa é que a Nabep pague US$ 200 bilhões em royalties e impostos.

Para ter acesso a possíveis fontes de financiamento, a Nabep "poderá captar capital privado americano para financiar investimentos".

A supervisão dos EUA "garantirá que os pagamentos de impostos e royalties sejam gastos em benefício do povo venezuelano".

Dimensão geopolítica do acordo para o hemisfério

O presidente Trump restabeleceu a Doutrina Monroe, segundo o comunicado, em referência à política de Washington que adverte outras potências contra tentativas de interferência no chamado Hemisfério Ocidental.

A maioria dos campos que serão operados pela Nabep era anteriormente controlada ou operada por empresas russas e chinesas ou por aliados dos ex-presidentes Nicolás Maduro e Hugo Chávez.

Os EUA estão construindo cadeias de suprimentos robustas, estratégicas e defensáveis no hemisfério para sustentar sua indústria e seu setor energético.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha durante um evento de volta às aulas realizado para destacar as políticas educacionais de seu governo, no Roseiral da Casa Branca, em Washington, em 24 de agosto de 2026 - Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha durante um evento de volta às aulas realizado para destacar as políticas educacionais de seu governo, no Roseiral da Casa Branca, em Washington, em 24 de agosto de 2026 - Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Valor
https://valor.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2026/09/01/veja-os-principais-pontos-do-acordo-de-petroleo-entre-eua-e-venezuela.ghtml