Lula e Geraldo Alckmin Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
O alerta da pesquisa BTG/Nexus: é preciso ampliar para o centro

O alerta da pesquisa BTG/Nexus: é preciso ampliar para o centro

Resiliência do bolsonarismo acirra projeção de empate técnico entre a reeleição e o adversário de extrema-direita; motes de esquerda não empolgam o voto independente; realizações do governo Lula-Alckmin, sim

Marco Damiani

Se eu fosse da campanha do Lula, diria lá dentro que é preciso ampliar. Antes que seja tarde. A notícia desta segunda-feira (10) é que o terceiro marqueteiro de Flávio Bolsonaro vai cortar o sobrenome dele, ampliar o 'v' e vender o slogan 'O Brasil vai vencer'. A tática vai na direção certa. O povo é suscetível. Sabe-se desde o início da campanha que a vitória está no chamado eleitor independente. É o tesouro. O pirata Bolsonaro se disfarça, arreia a bandeira preta com caveira branca e passa a navegar como se não fosse de extrema-direita, não carregasse um vice investigado por estupro de vulnerável nem estivesse imbricado no escândalo financeiro do Banco Master.

O comando do bolsonarismo se reunificou. Michelle Bolsonaro anunciou hoje que está na barca, entra com vídeos teleguiados ao voto feminino, religioso e familiar. Passa tudo a ser o Brasil que vai vencer. Muito perigoso.

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta manhã mostra que o presidente Lula ampliou para cinco pontos a vantagem sobre o principal adversário, com 40% contra 35% no primeiro turno. O resultado pode ser visto como enganoso. No segundo turno, o mesmo levantamento aponta uma situação acirrada de empate técnico em 47% para a reeleição e 44% para o corsário. Numa projeção de oscilação máxima, Flávio supera Lula por um ponto. Também há empate técnico no cenário do presidente contra Ronaldo Caiado, com 46% contra 42%.

A resiliência do campo bolsonarista impressiona, mas isso não deveria surpreender. O adversário é do mesmo tamanho, com pequenas variações nas pesquisas, da base de Lula e do PT. Dois terços do eleitorado estão fixados ali. A importância de ganhar os independentes, que representam o outro terço, é óbvia. O presidente tem mostrado cidadelas fortificadas entre jovens e 60+, mas a maioria dos votantes está no meio desses polos, ainda a ser ganha. Flávio está iniciando um movimento, que parece bem traçado, para essas águas. E nós?

A empresários, o CEO do Instituto Quaest, Felipe Nunes, apontou existir uma correlação muito favorável entre avaliação de governo e intenção de voto. Um ponto percentual de percepções positivas de uma administração tem peso maior que um nas intenções de voto ao candidato que a representa. Quanto mais as realizações do governo Lula forem apresentadas à população, melhor.

Como estratégia eleitoral, a busca pelo convencimento do voto de centro é fundamental. Exibir cada vez mais trunfos como o vice-presidente Geraldo Alckmin, de perfil centrista, e abrir grandes espaços de participação para os candidatos e apoiadores dos partidos da coligação e também de fora nunca fez tanto sentido. Um discurso focado em motes de esquerda parece ser tudo o que o adversário bolsonarista quer que as forças lideradas por Lula venham a adotar.

Brasil 247
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