Porta-voz global Merval Pereira dá como favas contadas a reeleição de Lula em outubro; para compensar, garante que Tarcísio de Freitas está 'predestinado' a ser presidente em 2030; direita busca no futuro o consolo para a derrota anunciada no presente
Marco Damiani
Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro
Reconhecido como porta-voz da família Marinho, o jornalista Merval Pereira jogou a toalha sobre o tablado das eleições presidenciais de outubro. Cravando a derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente Lula nas eleições de outubro, ele já se agarra à uma nebulosa projeção da próxima disputa eleitoral, quatro anos à frente, para encontrar um consolo para a direita pelo resultado amargo que se avizinha em 2026. Chama-se Tarcísio de Freitas, a quem o acadêmico vê como 'predestinado' a ser presidente.
Projetando o cenário de 2030, em um exercício bastante arriscado, Merval escreveu: "Lula estará fora da disputa presidencial [após ter vencido as eleições de outubro próximo], e provavelmente da política, e Jair Bolsonaro estará enfraquecido com a provável derrota de Flávio [em 2026], e inelegível".
O raciocínio é emblemático do atual estado de espírito da direita brasileira, que tem no formulador um de seus ideólogos de maior exposição midiática. O que está escrito quer dizer que, naquele campo, ninguém mais está acreditando nas chances do candidato do filho do capitão repetir a façanha do pai. A incluir agora, como se depreende do artigo, a família Marinho.
Após a admissão, porém, vem a malícia. E Merval passa a inventar um cenário absolutamente perfeito, desde já, para o carioca Tarcísio de Freitas, que estaria hoje "perto de se reeleger governador no primeiro turno" ou "mesmo que seja no segundo turno". Não há, para o articulista, portanto, nenhuma possibilidade de o governador paulista perder a disputa para o ex-ministro Fernando Haddad, da Fazenda.
Mesmo que as eleições de outubro sejam em outubro, Merval enxerga desde já Tarcísio governador reeleito e, ainda, Tarcísio presidente dentro de quatro anos. O projeto Tarcísio, bom que se repita, se mostra, assim, uma prioridade global de nível máximo.
Há na futurologia de Merval, de um lado, um adiantamento bastante incerto das eleições paulistas, que prometem ser acirradas. E, de outro, uma projeção típica de bola de cristal barata, à medida em que desconsidera todas as variáveis que surgirão nos próximos quatro anos, a começar pela nova safra de governadores que surgirá da eleição de outubro.
A elegia ao 'predestinado' Tarcísio feita por Merval se dá em meio referências a FHC, Tancredo Neves, Fernando Collor e ao bossanovista Johnny Alf, de quem o autor cantarola uma "licença poética maravilhosa, o 'inesperado trouxe uma surpresa'". Dali extrai o título da sua coluna, 'As surpresas do inesperado'. O romantismo está no ar. Perdida, a direita segue apaixonada pelo governador de São Paulo.
Brasl 247
https://www.brasil247.com/blog/globo-joga-a-toalha-e-ja-planeja-a-eleicao-de-2030/





