Companhias avaliam que um M&A ainda é saída possível apesar de processo de análise de caducidade
Por Maria Luíza Filgueiras - São Paulo
Grupos de energia ainda acreditam que é possível mudar o destino da Enel no Brasil. Apesar de iniciado o processo de recomendação de caducidade da concessão de São Paulo, Equatorial e Iberdrola estão engajadas em conversas com a matriz italiana para comprar ativos do grupo no Brasil, apurou o Pipeline. Ambas já mandaram seus emissários a Roma nos últimos dois meses para tratar do assunto, conforme três fontes, e têm sido assessoradas por bancos.
A Aneel instaurou em abril o processo que pode tirar das mãos da Enel a operação de São Paulo, mas ainda é longo o trâmite. A companhia tem prazo de defesa, a agência analisa e recomenda ou não a caducidade ao ministério de Minas e Energia, que é quem toma a decisão final. Apesar da antipatia generalizada que a Enel tem encontrado em Brasília, o desfecho é tanto técnico quanto político.
Equatorial e Iberdrola acreditam que um processo de venda pode ainda ser a preferência do poder público, pois interromper a concessão ensejaria uma operação emergencial de terceiro ou intervenção para manter o serviço de distribuição de energia em funcionamento até uma relicitação.
O que as interessadas querem é uma renovação de concessão para a Enel condicionada à venda, e elas também já têm tramitado em Brasília com essa proposta, disseram as fontes. A concessão em São Paulo vai até 2028. A avaliação é que, se uma delas tiver alinhavado um acordo com os italianos, o pleito poderia ganhar força.
Os grupos não descartam, segundo fontes, uma aquisição da operação completa. No Ceará, a concessão da Enel vence em dois anos e companhia tenta fazer a renovação antecipada para eventualmente vender o negócio, apurou o Pipeline. Em 2022, a Enel chegou a fazer um processo formal, mas depois acabou suspendendo o plano de desinvestimento.
No Rio, a companhia obteve, no ano passado, recomendação da Aneel de renovação de concessão por mais 30 anos, que foi questionada pelo Ministério Público.
Procurada, a Enel afirmou que segue interessada na renovação em São Paulo, descartando que queira vender os ativos no país. Diz a nota ao Pipeline: "A Enel reafirma o interesse na renovação da concessão em São Paulo e nega especulações sobre negociações envolvendo a troca de controle da distribuidora. A companhia reforça seu compromisso de longo prazo com o Brasil, país que é e sempre foi estratégico para a Enel, um dos maiores grupos econômicos de energia do mundo."
A Equatorial afirmou que "está sempre atenta às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades específicas de negócios ou aquisições". A companhia acaba de se tornar acionista de referência da Sabesp, mas tem fôlego para um M&A relevante em energia, apurou o Pipeline.
A espanhola Iberdrola atua no Brasil por meio da Neoenergia, que disse que "não comenta rumores de mercado".
Pipeline
https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/equatorial-e-iberdrola-vao-a-roma-por-ativos-da-enel.ghtml





