Gilberto Kassab, presidente do PSD / Crédito: Pedro Gontijo/Agência Senado |
Kassab como vice de Caiado amplia incertezas nos bastidores da política

Kassab como vice de Caiado amplia incertezas nos bastidores da política

Provável entrada do presidente do PSD no jogo eleitoral traz mais dúvidas do que respostas ao cenário

Beto Bombig

A 20 dias da abertura do período eleitoral para a realização das convenções partidárias, o PSD está muito próximo de anunciar um arranjo que deve ampliar ainda mais o ambiente de incertezas no cenário pré-eleitoral. O partido define os últimos detalhes para anunciar, provavelmente nesta quarta-feira (1/7), em Brasília, uma chapa pura para a disputa da Presidência.

O posto de vice de Ronaldo Caiado deverá ser ocupado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Nos bastidores das principais pré-campanhas do país, a informação, confirmada por interlocutores de ambos, foi recebida com reserva e, em alguns casos, até com desconfiança.

Em um cenário pré-eleitoral no qual muitos ainda se questionam se as pré-candidaturas a presidente colocadas até agora chegarão até o final, a entrada de Kassab no jogo, em vez de trazer respostas concretas, ajuda a ampliar as incertezas quanto ao futuro.

Kassab é reconhecido no mundo político pela fama de "enxergar à distância" algo que a maioria ainda não vê. Por esse motivo, a questão colocada nos bastidores das pré-campanhas é: qual o objetivo do dirigente com esse movimento?

As principais hipóteses levantadas até agora apontam para a possibilidade de Kassab ter informações privilegiadas sobre as investigações envolvendo o caso Master e, com base nesse suposto conteúdo, apostar em um "derretimento" da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O senador não é formalmente investigado, mas, conforme diálogos revelados pelo site The Intercept, cobrou ajuda financeira de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.

Mesmo quem não acredita totalmente nessa hipótese avalia que o presidente nacional do PSD, apenas com base na análise do cenário futuro, aposta em uma queda drástica nas intenções de voto de Flávio e em uma subida de Caiado nas pesquisas. Nesses dois casos, Kassab estaria se colocando como vice por, simplesmente, confiar na vitória eleitoral.

De acordo com as mais recentes pesquisas para a Presidência, Caiado aparece tecnicamente empatado com Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), todos variando entre 3% e 7% das intenções de voto, muito abaixo de Lula (PT) e de Flávio. Ou seja, o desafio desse segundo pelotão que tenta construir uma "terceira via" é enorme e, até agora, pouco provável.

Unidade interna

Assim, hipóteses à parte, em termos concretos, a movimentação no PSD tende a resolver dois problemas imediatos: a dificuldade de encontrar um vice em outro partido e a necessidade de uma união interna em torno da pré-candidatura de Caiado, que vem sofrendo resistências em diversos estados do país, especialmente no Nordeste, onde a governadora Raquel Lyra (PSD-PE), por exemplo, apoiará Lula.

Caiado, Kassab e dirigentes do PSD procuraram outros partidos do Centrão para compor a chapa, como o MDB, o Republicanos e a federação União-PP. Em linhas gerais, ouviram que a tendência é permanecer fora da polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Nesse sentido, se os demais partidos do Centrão mantiverem essa posição, a chapa puro-sangue do PSD poderá indicar uma tendência para outras pré-candidaturas, incluindo as de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, que ainda não definiram seus vices.

Diante dos obstáculos para uma composição, o presidente do partido teria preferido ocupar a vice, mesmo provisoriamente, e entrar diretamente na précampanha por Caiado em busca de unificar a legenda.

Guardando a vaga?

Mais adiante, se o arranjo de forças mudar ou mesmo se o ex-governador de Goiás adquirir maior viabilidade eleitoral, Kassab estaria disposto a abrir mão do posto em favor de uma aliança. Nesse cenário, os nomes mais lembrados são os de Zema e de Aécio Neves, deputado federal por Minas Gerais e presidente nacional do PSDB. Por ora, ambos descartam.

Pela legislação eleitoral brasileira, os partidos ou federações podem mudar o candidato a vice-presidente até o dia 14 de setembro de 2026, data que marca exatamente 20 dias antes do primeiro turno das eleições. Até lá, Kassab terá como principal desafio percorrer o país em pré-campanha convencendo os pré-candidatos do PSD a apoiar Caiado e a acreditar na chance de vitória. Do lado do presidenciável, a entrada do presidente do partido na chapa é uma sinalização clara de que não faltarão recursos para a campanha.

Jota
https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/kassab-como-vice-de-caiado-amplia-incertezas-nos-bastidores-da-politica