Trump revela que chamou o líder israelense Netanyahu de "louco"; entenda impactos  Jonathan Ernst/Reuters |
Trump critica Netanyahu e diz que ele deve ser 'responsável' com o Líbano

Trump critica Netanyahu e diz que ele deve ser 'responsável' com o Líbano

Presidente americano se diz frustrado com premiê israelense, que estaria dificultando acordo EUA-Irã ao atacar Hezbollah


Ivana Kottasová, da CNN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou clara sua frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dizendo a repórteres nesta terça-feira (16) que ele precisava ser "mais responsável em relação ao Líbano".

Trump entrou em conflito com Netanyahu diversas vezes nos últimos meses, acreditando que o líder israelense e seu governo estavam dificultando um acordo entre os EUA e o Irã ao atacar o Hezbollah no Líbano.

"Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estaria disposto a fazer o que eu fiz", disse Trump em resposta a uma pergunta sobre se ele estava frustrado com Netanyahu.

"Tive um ótimo relacionamento com Bibi, mas agora Bibi precisa ser mais responsável em relação ao Líbano", continuou ele, referindo-se ao primeiro-ministro israelense por seu apelido.

Netanyahu tem evitado confrontos públicos com Trump. Falando sobre o acordo EUA-Irã na segunda-feira (15), ele disse: "Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. [...] Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria."

Uma fonte israelense informou que o primeiro-ministro está tentando organizar um encontro após o retorno do americano da Cúpula do G7 na Europa.

Trump repreendeu duramente Israel no domingo (14), após as Forças de Defesa israelenses atacarem Beirute em resposta a disparos do Hezbollah contra o norte de Israel, afirmando que o ataque à capital libanesa "não deveria ter acontecido". Ele também classificou o ataque do Hezbollah como "muito pequeno e sem significado".

A troca pública de críticas contrasta fortemente com a frente unificada que os dois líderes demonstraram no início da guerra envolvendo o Irã e representa o mais recente episódio de uma série de divergências visíveis à medida que Trump tenta encerrar as hostilidades.

O presidente americano já havia limitado a liberdade de ação militar de Israel no Líbano; na semana passada, ordenou que Netanyahu cancelasse planos de ataque contra o Irã depois que Teerã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril.

De acordo com a fonte israelense, Netanyahu busca uma reunião com o presidente dos Estados Unidos após seu retorno do G7 para esclarecer e apresentar as posições de Israel nas negociações.

Israel está particularmente preocupado em preservar sua liberdade de atuação contra o Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã pressiona pela retirada israelense, afirmou a fonte.

O governo israelense também teme que o acordo em negociação entre Washington e Teerã reduza a pressão econômica sobre o Irã sem abordar a questão nuclear, um resultado que poderia estabilizar o regime iraniano justamente em um momento em que Israel busca enfraquecê-lo ainda mais.

CNN Brasil
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