A força eleitoral ligada ao sobrenome Bolsonaro se sustenta em uma fidelidade rara na política e que não encontra paralelo nem no lulismo, avaliou Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, no Frente a Frente, do Canal UOL.
Ao comentar pesquisas que mostram um cenário apertado na disputa presidencial, Haddad disse que a adesão ao bolsonarismo se mantém mesmo quando o candidato é Flávio Bolsonaro. Ele atribuiu o desempenho ao peso da "marca Bolsonaro".
O filho dele [Jair Bolsonaro] não tem [força eleitoral]. Quem tem é a marca Bolsonaro, que tem voto no Brasil. Isso é inquestionável e é uma fidelidade como eu nunca vi no Brasil. Eu não conheço fenômeno equivalente no país e raramente você vê fora daqui. Fernando Haddad
Daniela Lima perguntou se esse padrão de fidelidade poderia ser comparado ao lulismo. Haddad respondeu que, na avaliação dele, a base do presidente Lula se comporta de outra maneira.
Não. O presidente Lula tem uma base muito crítica e ela oscila. Você tem que prestar contas o tempo todo para essa base, que exige ser convencida o tempo todo.
Agora, esse cidadão totalmente acrítico, que aconteça o que acontecer, quase que como um comportamento de seita, vai votar no Flávio Bolsonaro porque ele leva o nome do pai, não é razoável numa democracia. Fernando Haddad
Haddad também explicou por que diz se identificar com o PT e citou a desigualdade como o que ele considera "o maior problema do Brasil". Segundo ele, a pauta "incomoda muita gente" ao "lutar por igualdade".
São Paulo não está bem. Ele me chamou a atenção para as fragilidades do governo Tarcísio, em várias áreas e os embates espúrios que estão acontecendo. Um presidente da República, depois da Constituinte de 88, quer chamar para si uma parte da responsabilidade pela segurança pública que hoje é exclusiva dos governadores. E tem oposição do principal estado do país? O que faz o Tarcísio? Não só sabota a PEC da Segurança Pública, transfigura o projeto antifacção por meio do seu secretário [Guilherme] Derrite e, agora, dá apoio ao Trump em um segundo ataque ao Brasil. Fernando Haddad
No Frente a Frente, os colunistas Daniela Lima e Fábio Zanini mergulham nos bastidores de Brasília para trazer análises exclusivas e informações sobre o cenário político nacional e as articulações para as eleições de 2026.
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