Mariana Sanches
O governo dos EUA assinou hoje a classificação das facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). A medida vale a partir do dia 5 de junho.
O UOL apurou que o documento foi assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio na tarde de hoje e é um resultado direto dos pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump, ao vice-presidente, JD Vance, e ao próprio Rubio, com quem ele esteve reunido nos últimos dois dias, na Casa Branca.
Em um post na rede X em que anuncia a decisão, Rubio afirma que "o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance estende-se por toda a nossa região e chega ao nosso país".
Pré-candidato à Presidência, Flávio tinha na pauta uma de suas principais bandeiras políticas. A segurança pública é um dos temas centrais na corrida eleitoral de 2026. Ele, o irmão Eduardo e outros bolsonaristas comemoraram a decisão.
"O governo Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos aos narcoterroristas", complementa Rubio.
Oficialmente, CV e PCC só serão consideradas FTOs a partir de 5 de junho porque legalmente o Departamento de Estado precisa notificar o Congresso uma semana antes de publicar a designação no Diário Oficial dos EUA. Até 5 de junho, portanto, a nomenclatura oficial das duas facções é Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). Trata-se de uma etapa protocolar apenas.
Como o UOL revelou em março, a medida tinha avançado no governo americano após intenso trabalho dos aliados do senador nos EUA, seu irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo.
Na ocasião, a medida só não entrou em efeito porque o chanceler brasileiro Mauro Vieira telefonou em caráter emergencial a Rubio, em um domingo à noite, com o pedido do Planalto para que os EUA esperassem a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Trump -e o avanço da negociação de ambos para uma cooperação em combate ao crime internacional- para tomar qualquer medida.
No encontro que teve com Trump na Casa Branca no começo deste mês, Lula não mencionou sua resistência à designação de PCC e CV, segundo afirmou em coletiva de imprensa. Integrantes do governo disseram ao UOL que se o presidente brasileiro trouxesse o assunto, estaria pautando a agenda bolsonarista.
Uol
https://noticias.uol.com.br/colunas/mariana-sanches/2026/05/28/eua-classificam-pcc-e-cv-como-organizacao-terrorista-apos-pedido-de-flavio.htm




