Pedro Zahran Turqueto (à esquerda) e Caio Turqueto, executivos do Grupo Zahran - Foto: Valor |
Zahran compra grupo Jaime Câmara e amplia operação de mídia

Zahran compra grupo Jaime Câmara e amplia operação de mídia

Aquisição levará companhia, também dona da Copagaz e da Liquigás, a 18 emissoras de TV, 15 rádios, 11 portais digitais e quatro jornais em quatro Estados 


Por Luana Dandara

A Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), braço de mídia do Grupo Zahran comprou o controle acionário do Grupo Jaime Câmara, conglomerado de comunicação com atuação em Goiás e Tocantins e afiliada da Globo. Com a operação, cujo valor não foi divulgado, o grupo passará a reunir 18 emissoras de TV, 15 emissoras de rádio, 11 portais digitais e quatro jornais, com presença em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins e alcance estimado de 16 milhões de habitantes.

Com a conclusão da transação, o grupo se tornará a maior rede de emissoras afiliadas à Globo no país em número de unidades. A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação das autoridades regulatórias competentes. Jaime Câmara Jr., atual acionista e controlador do Grupo Jaime Câmara, permanecerá como acionista minoritário.

A compra amplia a presença do Grupo Zahran em mídia regional e leva a RMC para além dos dois Estados onde atua desde 1965. O GrupoJaime Câmara reúne ativos como a TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás e Tocantins, além de rádios, portais digitais e jornais impressos. Entre os títulos estão O Popular, Jornal Daqui e Jornal do Tocantins.

Fundado por Ueze Zahran, o grupo comprador cresceu originalmente no setor de distribuição de gás. Hoje, controla a Copa Energia, dona das marcas Copagaz e Liquigás, e mantém investimentos em comunicação.

"O Brasil olha para essa região [de Goiás e Tocantins] e vê o celeiro do mundo. Nós, que somos daqui, vemos uma economia dinâmica, em constante expansão, e milhões de histórias que merecem ser contadas", afirmou o presidente do Grupo Zahran, Caio Turqueto, em nota.

Executivo-chefe (CEO) da Copa Energia e neto do fundador do Grupo Zahran, Pedro Zahran Turqueto disse ao Valor que a aquisição vinha sendo discutida desde 2018, quando as partes chegaram a avançar em uma diligência, mas a negociação não foi concluída. O diálogo foi retomado no fim de 2024.

"Sempre tivemos uma missão de expansão para além da fronteira dos dois Estados, olhando algo que tivesse algum tipo de sinergia", disse Turqueto. "Temos uma longa jornada como afiliados da Globo, portais de notícias regionais e uma rede de rádio. Existe uma tendência de consolidação dessas redes regionais."

A estratégia de expansão da RMC passa pela combinação de ativos em Estados com vínculos econômicos e comerciais próximos, além do reforço da atuação em jornalismo local e relacionamento com anunciantes fora do eixo Rio-São Paulo. A parceria com a Globo, comum aos dois grupos, também pesou na avaliação da compra.

"A gente segue bastante com foco no jornalismo local, em conversar com a comunidade e em entretenimento que se encaixe com o gosto do público", afirmou Turqueto. "Vamos continuar apostando no que tem dado certo em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sabendo que há outros corredores que podemos desenvolver."

A integração não deve significar uma substituição imediata do modelo do Grupo Jaime Câmara. A intenção, afirmou o executivo, é preservar práticas da empresa adquirida e buscar ganhos de eficiência em áreas como contratos com terceiros, operação e área comercial. A companhia também pretende manter os jornais impressos do grupo goiano, segmento em que a RMC não atuava até agora.

Na transação, o Grupo Zahran assumirá as dívidas da empresa, estimadas em cerca de R$ 40 milhões. O passivo deve ser renegociado, mas é considerado administrável na estrutura do grupo. "São dívidas usuais de negócio. A empresa está relativamente saudável", disse Turqueto.

Com a aquisição, o Zahran terá cerca de 2 mil funcionários. Além da expansão em comunicação, a companhia mantém investimentos no setor de energia. A Copa Energia deve investir entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão neste ano em capex (despesas de capital), como aportes em infraestrutura, equipamentos, expansão e manutenção de ativos produtivos. A companhia tem avaliado projetos ligados à infraestrutura de gás no Brasil, mas novos aportes dependem de maior estabilidade regulatória no setor, segundo o CEO.

"O grupo está desalavancado, tem gerado caixa e está procurando boas oportunidades para alocar bem o capital", afirmou Turqueto.

Em 2025, de acordo com o executivo, o Grupo Zahran registrou faturamento de cerca de R$ 12,5 bilhões. A Copa Energia, principal negócio do grupo, encerrou o ano com lucro líquido de R$ 704,9 milhões, queda de 20,4% em relação a 2024.

Valor
https://valor.globo.com/empresas/marketing/noticia/2026/05/22/zahran-compra-grupo-jaime-camara-e-amplia-operacao-de-midia.ghtml