Não foi surpresa que o resultado comercial da Agrishow teve redução de 22% neste ano; por outro lado, feira mostrou vigor com inovações tecnológicas em máquinas, equipamentos, insumos e serviços
Por Roberto Rodrigues
Na semana passada aconteceu em Ribeirão Preto a Agrishow, considerada a mais importante feira do agronegócio da América Latina e uma das maiores do mundo.
Não foi surpresa para as lideranças do setor quando o balanço do resultado comercial da Feira revelou uma redução de 22% em relação ao ano passado.
Afinal, há uma quase perfeita tempestade ameaçando as cadeias produtivas do agro brasileiro. Custos muito altos, em especial as taxas de juros incompatíveis com a atividade rural, preços baixos das principais commodities e falta de seguro adequado já eram problemas que vinham de 2025, mas a eles se somaram uma superoferta resultante de mais uma safra recorde de grãos, e, naturalmente, as consequências da guerra no Oriente Médio.
Por causa dela, os preços dos combustíveis subiram muito e também os dos fertilizantes, em grande parte importados da região. Pior é a expectativa de não haver fertilizantes suficientes para atender a demanda nacional para a próxima estação de plantio, que começa em setembro.
Estes fatores alimentaram uma inadimplência generalizada no agronegócio, cujo crédito ficou mais curto em função de uma onda avassaladora de recuperações judiciais e, por tudo isso, os produtores rurais decidiram não fazer novos investimentos em máquinas mais modernas, esperando a situação melhorar. E não foi só na Agrishow: várias feiras anteriores realizadas em diferentes estados mostraram o mesmo freio.
Mas jamais se pode dizer que foi um fracasso. Ao contrário! É preciso lembrar que o principal objetivo de uma feira dinâmica como a Agrishow é a apresentação aos produtores de inovações tecnológicas em máquinas, equipamentos, insumos e serviços que lhes permitam reduzir custos e melhorar a produtividade e a renda. E isso aconteceu com vigor.
Pelo menos três grandes mudanças estruturais foram apontadas: automação crescente (com máquinas cada vez mais autônomas), agropecuária orientada por dados (com ampliação da presença da IA na gestão rural, de sensores e de conectividade) e, talvez o mais relevante: a transição energética (com motores diesel sendo alimentados por etanol).
Este tema específico ganhou relevância com a guerra entre Estados Unidos e Irã, por causa da redução de oferta e aumento de preço do diesel. A alternativa do etanol e do biodiesel ganhou atenção e notoriedade. Aliás, foi por uma razão parecida (aumento do preço do petróleo) que nasceu o Proálcool, em 1975.
Portanto, a Agrishow 2026 cumpriu sua missão de arauto da inovação. E deu mais uma prova de que o agro está sofrendo.
Estadão
https://www.estadao.com.br/economia/roberto-rodrigues/agro-brasileiro-esta-sob-a-ameaca-de-uma-tempestade-quase-perfeita/





