Por Giulia Costa
Supla completou 60 anos no dia 2 de abril e segue com uma carreira movimentada. Para 2026, ele tem dois projetos inéditos: o filme "Sangue de groselha", dirigido por Marko Martinz e Loli Menezes, e a série "Wander", da Warner. Paralelamente, faz shows de seu 13º álbum solo, lançado no ano passado, e já começou a compor músicas para o próximo.
- No filme sou, acho, o primeiro Frankenstein do Brasil. Esses caras (os diretores) são loucos da cabeça, mas eu gostei deles. Na série, interpreto um matador de vampiros - explica.
Supla tem vários outros longas no currículo, entre eles "Uma escola atrapalhada" (1990), que teve cenas resgatadas na internet recentemente, depois de tantos anos. O cantor viveu Carlão e fez par com Angélica, a Tami. A produção também reuniu nomes como Gugu Liberato, Fafy Siqueira e Os Trapalhões:
- Na época, eu estava muito na mídia, tinha 18 anos, tocava direto, estava em todos os programas divulgando disco. Quando recebi esse convite, aceitei na hora. Era um filme com Os Trapalhões, e não sabia que seria o último com todos eles juntos. Fiz o filme com a cara e a coragem, sem nunca ter feito curso de ator. Peço até perdão aos atores, mas às vezes você é escolhido para um filme pelo seu carisma, para esse tipo de personagem que imaginavam. Acho que desempenhei bem o papel, tanto que o filme virou cult. A galera gosta bastante. Acho que deu certo no final das contas. Foi muito importante. Ali foi o começo, e você percebe que pode fazer aquilo. Um divisor de águas para mim. Acho que consegui dar o recado.
Sucesso nas décadas de 1990 e 2000, Supla acredita que seu público vem se renovando nos últimos anos por meio das redes sociais. Só no Instagram, ele acumula mais de um milhão de seguidores:
- Além das coisas de 5ª série, que são muito divertidas, falo sobre muitos outros assuntos. Porque acho que a internet não é lugar para se aprofundar em um tema. Primeiro você se interessa, depois vai estudar.
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Supla - Foto: Acervo pessoal
Ele afirma que, para se manter tão produtivo até hoje, leva uma rotina diferente daquela que imaginam ser a de um rock star:
- A única coisa que eu penso é em ter saúde. Faço cinco coisas básicas que a atriz Jane Fonda uma vez mencionou e que acho fantásticas: dormir bem é muito importante; exercício físico é essencial; comer vegetais, frutas e coisas coloridas; ter boas amizades e pessoas positivas ao seu lado; e estar em contato com a natureza pelo menos uma vez por semana. Uma coisa que você tem que aprender é que não adianta ir contra a natureza. O importante é fazer o melhor com o que se tem. E eu acho que meu espírito ainda é meio jovem. Gosto das mesmas coisas de que gostava quando era moleque. Por que mudaria agora?
Conhecido também por ser filho dos políticos Marta e Eduardo Suplicy, Supla diz não entender muito bem o significado do termo "nepo baby", mas comenta as cobranças que recebe envolvendo os pais:
- Tenho muito orgulho de ser filho de quem sou. Não segui o caminho deles na política, faço o meu trabalho. Acho isso um privilégio, mas, ao mesmo tempo, já me atrapalhou bastante. Porque, quando você é filho de políticos, quem não é do partido dos seus pais já fica bravo com você automaticamente. E qual é o meu privilégio? Nunca usei a Lei Rouanet. Minha mãe foi ministra da Cultura e do Turismo, e nunca usei nada. Tenho minha opinião e faço minha política. Meu pai sempre disse: "Acho muito legal o que você faz. Você faz sua política na sua arte". Há 40 anos é a mesma cobrança. Um dos motivos de eu ter ido para os Estados Unidos (onde morou por alguns anos na década de 1990) foi justamente para ver se eu era bom mesmo.
Há cerca de 15 anos, ele decidiu se mudar para o Centro de São Paulo após viver parte da vida em um bairro de luxo da cidade. Supla explica a decisão:
- As pessoas sabem que moro aqui. Gosto porque aqui me lembra muito Nova York nos anos 1980. Tem uma mistura de muita gente, é diverso, você fica ligado em tudo, nas gírias, nas coisas que as pessoas comentam e falam. Aqui há muito mais inspiração para palavras e para o que você vê.
O Globo
https://oglobo.globo.com/play/entrevistas/noticia/2026/04/08/supla-fala-da-chegada-aos-60-anos-da-carreira-de-cantor-e-de-trabalhos-como-ator.ghtml





