Paulo Antunes, CEO do Fogo de Chão Brasil - Divulgação |
Quase 10% dos clientes vão ao Fogo de Chão pelas saladas e o número vai aumentar, diz CEO

Quase 10% dos clientes vão ao Fogo de Chão pelas saladas e o número vai aumentar, diz CEO

  • Paulo Antunes afirma que rede de churrascarias busca diversificar para fugir das pressões do mercado
  • Executivo vê como possível que a empresa, que pertence a fundo equity, seja listado na bolsa

Alex Sabino

Paulo Antunes, 55, lembra de chegar a uma das unidades da churrascaria Fogo de Chão, rede em que é CEO da operação brasileira, e encontrar uma amiga vegetariana. Espantado, perguntou o que ela fazia ali.

"Estou me esbaldando no buffet de saladas", foi a resposta.

Esse é um dos caminhos de diversificação para a empresa que está em setor pressionado por aumento do preço da carne, juros altos e mudança do estilo de vida das pessoas. A última novidade é o fenômeno das canetas emagrecedoras.

Clientes cada vez mais vão a churrascarias premium e não querem o rodízio tradicional. Isso é ruim?  Um dos grandes diferenciais do Fogo de Chão é que mudamos. Há dez anos, você comia o rodízio e pronto. Hoje, você chega ao restaurante e tem opções. Pode consumir só o buffet, o rodízio de um corte, hambúrguer, apenas cortes premium ou rodízio tradicional. A gente abraça o gosto de cada pessoa.

Como uma rede de churrascarias sobrevive em mercado que as pessoas buscam ser saudáveis ou não querem consumir proteína animal?  Está todo mundo atento à proteína. O grande hit são as canetas emagrecedoras. Mas o desafio é não perder massa magra. Há a visão no mercado brasileiro de que a proteína é de qualidade muito alta. Compramos de produtores que sabemos quais são as práticas. Vamos até o pasto identificar o animal.

Na moda das canetas emagrecedoras, a tendência é que as pessoas comam menos. Isso é algo para ficar atento?  O Fogo de Chão se beneficia desse movimento por selecionar proteínas de maior qualidade. A pessoa pode vir aqui, comer um corte de rodízio ou o buffet de saladas.

Existe a ideia de atrair um público vegetariano?  A diversidade de buffet de saladas atrai.

Há um número desse tipo de clientes? O volume não é desprezível, perto de 10%. E tende a aumentar pela adoção de pessoas que querem uma dieta mais focada em saladas. É bom porque atendemos os dois mundos.

O Fogo de Chão está em nove países e tem mais unidades nos EUA (85) do que no Brasil (9). Qual é o papel brasileiro no grupo?  É estratégico em vários aspectos. Um deles é que tudo começou aqui. Somos a mão de obra especializada para os EUA. Vamos crescer em ritmo de 2 ou 3 lojas por ano e eles, de 10 a 20. É realidade econômica. As receitas e a inspiração vêm daqui. Vamos acelerar a penetração no Brasil de acordo com as oportunidades.

Quando houve a aquisição pela Bain, questionou-se o valuation de US$ 1,1 bilhão.  Sem entrar em detalhes, mas o valuation é ciência exata. É um múltiplo do quanto a empresa gera de caixa.

Está nos planos a abertura de capital em bolsa?  Não tenho detalhes porque é questão de governança. Mas creio que seja uma estratégia para qualquer fundo de private equity que adquire uma empresa deste tamanho. Já estamos no quarto fundo. A possibilidade de voltar a ser listada em bolsa é real.

Qual é a meta de crescimento?  No global, é de 15% ao ano.

E como isso se traduz na operação brasileira? Esse tem sido o nosso target e temos ficado muito próximos disso.

Como proteger a margem de lucro no atual cenário econômico?  É contorcionismo. O preço da proteína animal é uma das espinhas dorsais do negócio, tem aumentado e não parece que vai parar tão cedo. O desafio é manter a qualidade sem impactar o lucro. Buscamos repassar o mínimo para o preço do cliente, sem prejudicar a rentabilidade. A pressão vem de todos os lados.

Como manter a posição no mercado com a inflação de alimentos pressionando?  O Fogo de Chão lidera o mercado e um dos motivos é inovar. Inovamos com pratos novos, nas maneiras de comer no nosso restaurante e de fazer com que a pessoa venha com maior frequência. É um conjunto de ações para mitigar a inflação, aumento de custo etc.

Raio-X
Paulo Antunes, 55

1970, São Paulo. Formado em Administração da Empresas pela FAAP e com pós-graduação na FGV, foi executivo de empresas em setores diversos, como serviços gráficos, ótica e ferramentas elétricas. Foi CEO da rede Fasano de hotéis e restaurantes. É CEO da operação do Fogo de Chão no Brasil desde 2019

Folha de S.Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/04/quase-10-dos-clientes-vao-ao-fogo-de-chao-pelas-saladas-e-o-numero-vai-aumentar-diz-ceo.shtml