Cenário atual confirma que senador do PL se consolidou como opção eleitoral viável para liderar campo antipetista
Beto Bombig
A mais recente rodada da pesquisa Datafolha reforçou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em seu entorno e no meio político a percepção de que a eleição deste ano, diferentemente do que chegou a ser imaginado por setores do PT e da esquerda no final de 2025, deverá ser difícil e decidida por margem apertada, inferior a 4%.
Em linhas gerais, se não trouxe Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente nas simulações de segundo turno, como outros institutos recentemente indicaram, o Datafolha deixou claro que o enorme contingente antipetista ou antilulista do eleitorado enxerga o senador como alternativa viável de poder, o que é uma notícia ruim para a chamada "terceira via" da centro-direita, hoje encabeçada pelo PSD de Gilberto Kassab.
Em dezembro último, quando Jair Bolsonaro tirou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) do jogo e lançou seu filho mais velho, Flávio, ao Planalto, setores significativos do campo que apoia Lula chegaram a dar a reeleição do presidente como "definida" ou, ao menos, "bem encaminhada".
Naquela altura, Lula encerrava o ano, que havia começado difícil, confirmando sua recuperação nas pesquisas (de avaliação e de intenção de voto), comemorando o sucesso nas negociações bilaterais com os EUA após o tarifaço e sancionando a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Na seara política, Tarcísio de Freitas, apoiado pelo Centrão e à frente de um importante estado, era tido como o adversário mais difícil de ser batido. Portanto, a decisão do ex-presidente Bolsonaro de lançar Flávio chegou a ser comemorada reservadamente pela esquerda e setores do PT, que, na linguagem da política, passaram a usar "salto alto".
Desde então, Flávio vem consolidando sua pré-candidatura, reunindo apoios políticos e, principalmente, pontuando bem nas pesquisas, enquanto a avaliação do governo Lula enfrenta momento de estagnação: 49% dos brasileiros desaprovam seu trabalho na Presidência, segundo o Datafolha, 47% aprovam e outros 4% não souberam responder. Em dezembro de 2025, esses índices eram, respectivamente, 48%, 49% e 3%.
Nas sondagens eleitorais, Lula ainda aparece à frente em todos os cenários de primeiro turno (mas a vantagem está em queda), com 38% ou 39%. Flávio segue logo atrás, entre 32% a 34%. Ratinho Jr. (PSD) aparece na sequência com 7% e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%. Renan Santos (Missão) tem 3% e Aldo Rebelo (DC), 2%. Rejeitam todos os candidatos 11%, e 3% dizem não saber em quem votar.
Nas simulações de segundo turno, o petista marca 46% das intenções de voto e o senador, 43%, ou seja, ambos estão empatados na margem de erro (dois pontos percentuais para mais ou para menos) apenas três meses após o filho de Jair Bolsonaro ter sido ungido pelo pai. Em dezembro do ano passado, Lula registrava 51% e Flávio, 36%.
Esses cenários servem para fazer com o PT e seus aliados que ainda alimentavam a ideia de uma eleição relativamente fácil comecem a se movimentar rapidamente em busca de estancar as oscilações negativas de Lula e o crescimento de Flávio nas pesquisas. A questão colocada neste momento é: como combinar esses dois movimentos?
Uma das estratégias defendidas reservadamente no entorno do presidente é iniciar, desde já, o trabalho de "desconstrução" da imagem do senador, o que, em termos práticos e no linguajar político-eleitoral, significa "bater" no adversário. Até agora, Lula preferiu deixar Flávio jogar livre de marcação para garantir que Tarcísio não voltasse para o jogo.
A outra receita dos estrategistas do PT para este momento é defender o governo Lula e forçar a ainda mais a polarização com direita e o bolsonarismo, uma aposta antiga que deu certo em 2022.
No vácuo, as ideias parecem boas. Mas, nas condições atuais de temperatura e de pressão, com o caso Master fazendo vítimas a cada dia e turvando o ambiente político, são grandes as chances de as atuais tendências demonstradas pelas pesquisas se manterem.
Registro
A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente e entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral.logo-jotaJota
https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/datafolha-derruba-pt-do-salto-alto-indica-eleicao-apertada-e-consolida-flavio





