'Sonhos de Trem' tem roteiro que emociona e belas paisagens, por Eleonora Rosset

Obra foi indicada ao Oscar de melhor filme e tem ainda Joel Edgerton concorrendo a melhor ator. Um brasileiro também está na competição: é Adolpho Veloso, responsável pela fotografia do filme


Uma natureza bela e intocada espera a chegada de Robert Bentley ao pequeno povoado onde os lenhadores bebem e comem, ao som de cantos e histórias. Descansam do trabalho do dia.
 
Estamos no início do século XX e aqueles homens vão derrubar árvores imensas para que o caminho da ferrovia se abra. As sequoias vão morrer para depois renascer.
 
Robert Bentley é órfão, nunca conheceu os pais e vai adotar a vida dos lenhadores. Ele é um homem forte. Mas músculos e barba escondem um olhar doce e melancólico.

'Sonhos de Trem' tem roteiro que emociona e belas paisagens, por Eleonora Rosset
 
Algo incrível vai acontecer quando ele passa pela igrejinha local. Uma mulher jovem e bela vem falar com ele e assim começa o paraíso do lenhador.
 
Não se largam mais. Deitados na grama alta, eles seguem o por do sol, que deixa tudo dourado.
 
O amor uniu aqueles dois sem nenhum trabalho. Era para ser assim. E os dois se entregam à materialização, uma casa, ali ao lado do rio, que canta com águas agitadas, aprovando os planos de Robert e Gladys.
 
Logo serão três. E a cada ida e volta de Robert é uma alegria passear com a bebê no colo, mostrando o mundo que é só deles. Uma fotografia na cidadezinha marca esse momento feliz.
 
A voz do narrador vai nos contando a história do casal que se amava tanto e das idas e vindas de Robert. O lenhador lembra a lenda de Ulisses e Penélope. O sonho da volta assegura o trabalho do lenhador.
 
E foi assim até o dia do fogo. Ele não chega a tempo. E começa um luto pesado. Procura as duas. Ninguém as viu. Ele não acredita que sumiram e espera que voltem.
 
Nem quando aparecem os filhotes de cães existe consolo para aquela dor amarga. Robert abandona as árvores e vaga, procurando até não saber o que procura.
 
O grito final "Por quê?" ajuda a por para fora o fogo que queima por dentro. E ele pensa: "será uma punição pela morte das árvores?"
 
Joel Edgerton nos faz pensar em seu destino. O ator nos chama para viver com ele alegrias e sofrimentos. Aprendemos com ele o que é um luto pesado que continua a nos levar cegamente, guiados por aquele amor que estará sempre vivo no nosso coração. De sonho em sonho, sempre conosco, revivendo na lembrança.
 
O filme foi indicado à lista dos melhores do Oscar 2026 e o protagonista, Joel Edgerton, ao prêmio de melhor ator. Além disso, concorre a mais duas estatuetas: fotografia, com o brasileiro Adolpho Veloso; e ainda roteiro adaptado.