GP Pres. Márcio Corrêa de Toledo homenageou dirigente que comandou 'Novo Jockey', experiência inédita de revitalização do turfe paulista

Uma das provas clássicas da programação do último final de semana no Hipódromo Paulistano, o GP Presidente Márcio Corrêa de Toledo (G3), marcou a vitória da velocista Riviera do Iguassu. A farda do paranaense Haras Iguassu por sinal dominou a jornada, uma vez que também venceu o GP Jockey Club de São Paulo (G1) com o potro Talento do Iguassu; e o GP Henrique de Toledo Lara (G1) com a potranca Taylor do Iguassu.

O páreo, realizado anualmente no mês de outubro, é uma homenagem da diretoria do Jockey Club de São Paulo ao ex-presidente Márcio Toledo, empresário que comandou o clube de 2005 até o início de 2011, período em que a administração do turfe paulista ficou conhecida como "Novo Jockey".


Riviera do Iguassu voltou a vencer, em Cidade Jardim. | Porfírio Menezes/Divulgação JCSP

Desde sua fundação, em 1875, o Jockey Club se notabilizou por ser um centro não apenas de corridas de cavalos mas também de muita mobilização social, política e econômica. Basta ver que, entre seus fundadores, reuniam-se monarquistas e republicanos, a contar do primeiro presidente do clube, Rafael Aguiar Paes de Barros.

Essa pluralidade foi resgatada por Toledo, que soube enxergar a grandeza do clube como um local propício para reunir as pessoas de todas as classes sociais. Dos ricos, que construíram o hipódromo em Cidade Jardim; aos paulistas, imigrantes e depois migrantes, que ajudaram a manter e enriquecer essa história.

Márcio Toledo

Foram vários os momentos em que essa reunião de pessoas ou eventos marcaram a gestão de Toledo. Um dos mais simbólicos aconteceu na campanha presidencial de 2006, quando o Jockey foi palco do jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de um almoço com o governador Geraldo Alckmin. Dezesseis anos depois, os dois políticos formariam uma Frente Ampla para derrotar a extrema-direita na eleição presidencial de 2022.

A realidade é que, em 151 anos de vida, registrados no último dia 14 de março, o Jockey Club viveu diversas fases, recebeu reis, princesas, presidentes e personalidades como nenhum outro clube soube fazer. Mas também passou por crises, que o fizeram perder sócios e principalmente o público, que durante muito tempo lotou as arquibancadas primeiro do hipódromo da Mooca e depois de Cidade Jardim.

Em 2005, ao assumir a presidência, Márcio Toledo e sua diretoria implementaram várias mudanças no dia a dia do Jockey, buscando recuperar fontes de receita e o público que andava meio sumido das tribunas. Em pouco tempo, começaram a obter resultados, com uma política de mostrar o Jockey como o clube da cidade de São Paulo. Na época, Toledo repetia o mantra de que era preciso "derrubar os muros do Jockey" para que as pessoas conhecessem o hipódromo e as corridas. Não demorou muito tempo para a ideia sair do papel e se tornar uma grata realidade.

Um dos grandes momentos dessa escalada foi a realização dos Grandes Prêmios São Paulo em parceria com a Rede Globo de Televisão, durante quatro edições da prova, a partir de 2006 e depois 2008, 2009 e 2010. Em 2007, a promoção deu lugar à comemoração dos 70 anos da Rede Bandeirantes.

Grande Prêmio São Paulo 2006  Rede Globo

Uma terceira emissora, o SBT, também estabeleceu um bem sucedido vínculo com o Jockey Club ao promover o "Páreo da Sorte", corrido semanalmente todas as segundas-feiras, às 19 horas. A promoção durou quase três anos, com transmissão ao vivo no "Programa do Ratinho", obtendo nesse período cerca de 20 milhões de acessos.

Entre 2009 e 2010, também houve uma importante parceria com a Shadwell Farm para realização do Grande Prêmio Derby Paulista. Com patrocínio do haras do sheikh Handam Al Maktoum, dos Emirados Árabes Unidos, o hipódromo promoveu duas belas edições do Derby, além de registrar casa cheia nos dois anos.

Grande Prêmio São Paulo 2010  Rede Globo

Na última edição, a de novembro de 2010, a festa do Derby foi coroada, na noite anterior de sexta, com um show do rapper norte-americano Eminem. A iniciativa, que reuniu 20 mil pessoas no hipódromo, foi o embrião do festival Lollapalloza, realizado posteriormente durante mais alguns anos no mesmo local.

Grande Prêmio São Paulo 2007  70 anos Bandeirantes

Sem esquecer, ainda, do Clássico Latino-Americano, disputado em 2009 por cavalos do Brasil, Argentina, Chile e Peru com a dotação recorde de US$ 250 mil, resgatando uma prova que não era promovida em solo paulista desde 1991.

Essa fase do "Novo Jockey", assim como as etapas que a antecederam, está registrada no livro "Jockey Club de São Paulo - Uma história do tempo", do jornalista Cyro Fiuza, publicado pela Editora Uiclap.