lhabela não é uma praia qualquer do litoral paulista. É uma ilha inteira com um jeito próprio de viver, e isso se percebe logo na travessia de balsa pelo canal de São Sebastião.
Muito antes de receber qualquer nome português, a ilha já tinha o seu: os tupinambás a chamavam de Maembipe, "lugar de troca", lembrança dos encontros, das trocas e dos resgates de prisioneiros que aconteciam ali entre os povos indígenas. Em 20 de janeiro de 1502, uma expedição portuguesa que subia o litoral avistou aquela massa verde erguida do mar e, seguindo o costume da época, deu-lhe o nome do santo do dia: virou Ilha de São Sebastião, nome que ela conserva até hoje nos mapas e que também batiza o canal que a separa do continente. Quase três séculos depois, em 1805, o pequeno povoado foi elevado a vila e ganhou um nome mais cortesão, Vila Bela da Princesa, em homenagem a uma princesa da família real portuguesa. Com a chegada da República, a referência à realeza perdeu o sentido, e a vila passou a se chamar simplesmente Formosa. Por fim, já no século XX, juntaram-se a ilha e a beleza num nome só, Ilhabela, que guarda no "Bela" a memória da antiga vila e diz, sem rodeio, o que todo visitante descobre ao desembarcar.
Em cerca de vinte minutos o continente fica para trás e a paisagem muda: mais de 80% do território é protegido pelo Parque Estadual de Ilhabela, e a Mata Atlântica desce das montanhas até o mar, com trilhas, cachoeiras e mais de quarenta praias. Algumas são animadas e cheias de estrutura. Outras, como Castelhanos e Bonete, continuam isoladas e só se chega a elas de barco, de 4×4 ou depois de uma boa caminhada.

A vida cultural também surpreende, e o grande símbolo dela é o Teatro Vermelhos, no sul da ilha, perto da Baía dos Vermelhos. Ele nasceu em 2015 do sonho do advogado Samuel Mac Dowell, que decidiu levar música e artes cênicas de primeira linha para o meio da Mata Atlântica. O palco do teatro fica sob uma ampla cobertura metálica, aberta para a floresta e com vista para o mar, e recebe cerca de mil pessoas.

Mesmo com o vento e os sons da mata ao fundo, a acústica é surpreendente. O complexo tem ainda a Sala do Porão, um espaço intimista para música de câmara logo abaixo do palco principal, e um anfiteatro ao ar livre no meio das árvores. A programação reúne concertos, recitais de piano, dança e teatro, com grandes nomes nacionais, e o Festival Vermelhos, que completou dez anos em 2025, virou um dos eventos mais esperados da ilha. Assistir a um concerto ali, com a floresta em volta e o mar ao longe, é uma experiência difícil de encontrar em qualquer outro lugar.

Outro programa imperdível fica de volta à Vila, na Praça Coronel Julião. Ali, um prédio de 1914 chama a atenção pela torre cilíndrica, que lhe dá um ar de pequena fortaleza. No térreo funcionava a cadeia da cidade e, no andar de cima, o fórum. Tombado como patrimônio histórico pelo Condephaat, o casarão ganhou vida nova em julho de 2022, quando passou a abrigar o Museu Náutico de Ilhabela. É o lugar ideal para entender por que a ilha é conhecida como a "capital dos naufrágios" do litoral brasileiro.

Os ventos fortes, as correntes traiçoeiras e, dizem os antigos navegadores, as rochas magnéticas que confundiam as bússolas fizeram das águas de Ilhabela um cemitério de navios. O grande protagonista é o Príncipe de Astúrias, transatlântico espanhol que afundou em 1916 perto da Ponta da Pirabura, levando consigo centenas de vidas. Até hoje ele é considerado o "Titanic brasileiro". Andar entre louças, talheres e fragmentos de uma viagem interrompida há mais de um século, dentro das paredes grossas de uma antiga cadeia, é uma experiência curiosa e comovente. E a entrada é gratuita.

Para quem visita, Ilhabela oferece de tudo. O canal, de mar calmo e vento constante, fez dela a "capital da vela", e a Semana Internacional de Vela reúne velejadores do mundo inteiro. Os mergulhadores encontram águas claras e naufrágios históricos, e quem prefere sossego tem praias quase desertas e cachoeiras escondidas na mata.

Para quem mora lá, as vantagens vão além da paisagem. Há escolas muito boas, e os royalties do petróleo ajudam o município a investir em saúde, educação e infraestrutura. As comunidades caiçaras mantêm vivas a pesca artesanal, a culinária e as festas tradicionais. Com São Sebastião e Caraguatatuba logo ali, os serviços do continente continuam à mão. Não é à toa que tantos brasileiros e estrangeiros escolheram trocar a vida nas grandes cidades pelo ritmo mais tranquilo da ilha.

Não se esqueça de reservar a balsa quando for, porque encurta muito a viagem e você não precisa fazer fila. No caminho de São Paulo para Ilhabela tem um restaurante muito simpático, sanduiches ótimos, Santa Bárbara com uma lojinha de artesanato bem interessante.





Fomos numa doceira francesa maravilhosa, Le Blé D'Or, o melhor éclair e mil folhas que já comemos!! O croissant também é muito bom, vale a pena experimentar!

Almoçamos no Prainha do Julião, muito bom, que fica localizado na praia de mesmo nome!

Depois fomos conhecer o hotel DPNY. O dono é alemão. O hotel é lindo, muito bem decorado, Academia enorme, vários chalés, tomamos uma champanh e bem boa. O DPNY Beach Hotel & SPA (Dusseldorf, Palma de Maiorca, NewYork) é o endereço mais conhecido - e mais badalado - da hotelaria de Ilhabela. Fica na Praia do Curral, no lado sul da ilha (Av. José Pacheco do Nascimento, 7668), a uns 20 minutos de carro da balsa.
O conceito
Nasceu como um híbrido de hotel de luxo e beach club, e é isso que o diferencia até hoje: a faixa de areia é parte da operação, com espreguiçadeiras, camas balinesas, tendas, DJ tocando e serviço de praia. O visual é bem autoral - azulejaria artesanal, mobiliário brasileiro, cores fortes, um exagero deliberado. Seu estilo hippie-chic é inédito. A revista inglesa The Guardian já o descreveu como "hipper than hell", e o público reflete isso: mistura gente de São Paulo em fim de semana longo, casais e um circuito social forte no verão.

Quatro restaurantes, sendo o Tróia o carro-chefe, de cozinha contemporânea e o mais premiado da casa. Há também opção japonesa e o clima mais descontraído do beach club.

Fomos jantar num restaurante libanês muito bom, Sandara - Comida Libanesa Artesanal, na Rua José Joaquim da Silva, 272, bairro Itaquanduba (perto do centro, lado norte da ilha). O nome Sandara significa "sótão" em grego. O original nasceu em Beirute, na sala de convívio de Anastácia Mossiades (Zizi), grega, que preparava mezzés para a família e amigos. O neto dela, Henri Robert Iskandar Mouracadé - o Bobby -, ressuscitou a casa em Ilhabela junto com a companheira Mônica Bock, cozinhando as receitas da família passadas de geração em geração.

Almoçamos no restaurante português chamado Portinho, muito bem localizado no Saco da Capela, tem um ambiente externo bonito, aberto, todo de vidro aberto para a rua.
Restaurantes
Porto Brasil - do chef português Macedo, excelente cozinha portuguesa, destaque para as alheiras e ótimas opções de bacalhau.
Pescadora - da chef Renata Vanzetto, à beira mar na bela e calma praia de Santa Teresa, cozinha do mar com toque asiático, ótima opção para um jantar a dois.



No mês de Agosto há o Festival do Camarão, que acontece sempre nessa época do ano. São vários restaurantes dentro de um espaço grande que oferecem todo tipo de receitas de camarão.

Paramos no Shopping Mares, pequeno, mas simpático, depois paramos numa loja super legal de coisas de casa, Espaço Casual, que recomendo bastante.
Móveis e objetos de artesanato de muito bom gosto para uma casa de praia.






Para terminar um pensamento do escritor José Saramago que morava na ilha de Lanzarote, situada no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias.
"É preciso sair da ilha para ver a ilha."
Boa Viagem!!!
Yeda Saigh
https://diariodeviagemysaigh.com/2026/10/06/fim-de-semana-ilhabela/





