Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lideram rejeição. - Foto: Evaristo Sa / Sergio Lima / AFP |
Quaest: na reta final da campanha, rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro segue acima de 50%

Quaest: na reta final da campanha, rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro segue acima de 50%

Líderes nas intenções de voto são também os com maiores percentuais de rejeição a menos de duas semanas do pleito, mostra pesquisa divulgada nesta segunda-feira

Por Bernardo Yoneshigue - Rio de Janeiro


O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lideram a rejeição entre os eleitores segundo a nova pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira. O senador aparece numericamente à frente, rejeitado por 56%, enquanto 55% afirmam que não votariam de jeito nenhum no petista. Os dois, porém, estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro, em cenário praticamente sem alterações desde meados de agosto.

O presidente manteve o percentual de 55% de rejeição observado no último levantamento, de 14 de setembro. Já o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) oscilou um ponto percentual para cima. Os números revelam um cenário de estabilidade mesmo após o início da campanha eleitoral, marcada por duros ataques entre os postulantes, e as revelações dos escândalos recentes que afetam os dois principais nomes na disputa. Tanto Lula, quanto Flávio oscilaram apenas dentro da margem de erro no período.



O petista é o mais rejeitado no Sul (68%), no Sudeste (59%) e no Centro-Oeste/Norte (61%), enquanto o nome do PL lidera a rejeição no Nordeste (66%). Entre as mulheres, Flávio também lidera numericamente com 57% contra 54% de Lula, embora estejam empatados tecnicamente. Já entre os homens, ambos têm o mesmo índice de rejeição (55%).

Por faixa etária, os candidatos empatam no limite da margem de erro entre os mais jovens, com Lula sendo rejeitado por 58% do eleitorado de 16 a 34 anos, e Flávio por 54%. O cenário é também de empate entre 35 e 59 anos, mas com o senador numericamente na liderança, rejeitado por 57% contra 55% do petista. Entre os de 60 anos ou mais, Flávio Bolsonaro é rejeitado por 56%, seis pontos percentuais a mais que o presidente.

O senador é também o mais rejeitado entre os eleitores com ensino fundamental completo, entre os que recebem até dois salários mínimos, entre os católicos, entre os pardos e negros e entre os beneficiários do Bolsa Família. Por outro lado, Lula é o que tem mais rejeição entre os com ensino médio e superior completos, entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, entre os evangélicos, entre os brancos e entre os não beneficiários do Bolsa Família.

Entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos, há um empate técnico no limite da margem de erro, com Lula sendo rejeitado por 57% dos entrevistados, e Flávio por 53%.

A maior vantagem do petista está entre os eleitores do Nordeste e entre os beneficiários do Bolsa Família, em que os percentuais de rejeição são de, respectivamente, 37% e 38%, 29 pontos de distância para os de Flávio Bolsonaro, que chegam a 66% e 67%. Já para o senador, o melhor cenário é entre os evangélicos, em que 38% o rejeitam, 30 pontos a menos que os 68% que não votariam em Lula.

A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO e ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-06004/2026.

Depois de Lula e Flávio, o terceiro nome mais rejeitado na disputa é o do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), mencionado por 43% dos entrevistados como alguém em que não votariam de jeito nenhum. Em seguida, aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 40% de rejeição; Renan Santos (Missão), com 35%; o escritor Augusto Cury (Avante), com 28%, e Rui Costa Pimenta (PCO), com 25%. Outros nomes foram rejeitados por menos de 15% dos entrevistados.

O único candidato cujo percentual variou acima da margem de erro em relação à pesquisa anterior foi Zema, que cresceu três pontos e ultrapassou a rejeição de Caiado, e Renan Santos, que viu a proporção de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum saltar cinco pontos percentuais.

Rejeição não muda apesar de escândalos e ataques

No caso da presidente, a rejeição se manteve apesar das investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por prática de tráfico de influência ao "abrir as portas" do governo para a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga e sócia de uma consultoria que tentou fazer negócios no Ministério da Saúde e em outros órgãos públicos. Também continuou elevada mesmo depois de movimentos como o aumento do valor do Bolsa Família para R$ 691 a partir de outubro.

Já o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também não viu sua rejeição aumentar mesmo sendo alvo de investigações envolvendo o financiamento da cinebiografia do seu pai, "Dark Horse". Segundo as apurações, o senador foi o "interlocutor direto" com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para pleitear R$ 130 milhões em recursos para o filme, que seriam "geridos" depois pelo ex-deputado e seu irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os dois negam irregularidades.

A rejeição aos nomes também se manteve inalterada em meio à crise sem precedentes que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens entre o colega de Corte Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro dias antes de o banqueiro ser preso.

O imbróglio virou pauta principal da corrida eleitoral. Flávio, que mantém postura crítica aos membros do Supremo, busca associar Moraes, relator da ação da trama golpista que levou seu pai à prisão, ao presidente Lula. Já o petista tenta afastar sua imagem à do magistrado e reforçar as ligações do próprio Flávio com Vorcaro.

Na semana passada, o Supremo realizou agendada pelo presidente, Edson Fachin, para julgar se abriria ou não um julgamento formal sobre o caso de Moraes, algo nunca feito antes na Corte. No entanto, após votarem uma questão de ordem que demandava o julgamento conjunto com André Mendonça, por acusações relacionadas à conduta do magistrado frente ao caso, o ministro Flávio Dino pediu vista, e a decisão foi suspensa.

Potencial de voto

Lula e Flávio Bolsonaro também empatam em relação aos que os conhecem e votariam neles: 45% para o presidente, e 43% para o senador. Os percentuais são os mesmos do levantamento anterior e também permanecem praticamente inalterados desde o início das pesquisas em agosto. 100% do eleitorado conhece os dois candidatos.

Em terceiro lugar, 27% dos entrevistados conhecem e votariam em Caiado, um salto de cinco pontos percentuais em comparação com o levantamento anterior. Em seguida, empatado tecnicamente, aparece Augusto Cury, com 26% após crescer dois pontos. Já Zema manteve os 21%, enquanto Renan Santos oscilou um ponto para baixo e marcou 15%. Os demais postulantes são mencionados por 5% ou menos do eleitorado como alguém conhecido e em que votaria.

Entre os seis principais candidatos, o nome do Missão é o mais desconhecido, por 50% dos entrevistados, seguido por 46% que desconhecem Augusto Cury, 36% que não conhecem Zema e 33% que afirmam o mesmo em relação a Caiado.

O Globo
https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/09/quaest-flavio-bolsonaro-e-lula-sao-empatados-os-mais-rejeitados-pelos-eleitores.ghtml