Ator é um dos idealizadores da produção do Globoplay sobre os bastidores do esporte
Por Guilherme Bryan - para o Valor, de São Paulo
Aos 46 anos, o ator, produtor e agora também diretor Cauã Reymond celebra a estreia da série "Jogada de risco" - quatro dos oito episódios da primeira temporada já estão disponíveis na plataforma Globoplay. Reymond foi um dos idealizadores do projeto, com Thiago Dottori e Sofia Maria. A dupla assina o texto sob a supervisão de Lucas Paraizo, e a direção artística é de Bruno Safadi, com algumas sequências a cargo de Reymond.
Além dos bastidores do esporte, "Jogada de risco" chama atenção também pelos registros íntimos e erotizados. "É o 'proibidão' do futebol. Em um ritmo eletrizante, mostramos a razão de algumas coisas serem como são", afirma Reymond. "Esse projeto é um elogio à paixão e à curiosidade em torno do futebol, mas não à estrutura dele." O ator lembra que durante seis meses realizou uma pesquisa a respeito do assunto, consultando jogadores, ex-jogadores, agentes, relações públicas, dirigentes e jornalistas.
"É natural que, com a nossa seleção não se saindo tão bem, as pessoas de uma nação apaixonada por futebol fiquem curiosas em saber o que pode estar acontecendo nos bastidores", diz. "É o que a gente traz em forma de ficção."
A ideia de "Jogada de risco" surgiu em 2020, quando Reymond assistia à série americana "Ballers" (HBO), em que o ator Dwayne Johnson interpreta um astro aposentado da NFL, a liga profissional de futebol americano dos EUA. O personagem se torna gestor financeiro de astros desse esporte. Na série brasileira, o protagonista vivido por Reymond é Maurício, ex-jogador que teve a carreira interrompida cedo, por causa de lesões e pela má administração do pai e empresário, Valdemar (Marcos Frota). Maurício se torna agenciador de atletas amadores, revelando grandes talentos.
"Eu não era próximo do futebol", conta Raymond. "Nem meu pai, nem meu avô tinham essa cultura em casa. Eu também não jogava bem. Era o último a ser escolhido na escola." A aproximação ocorreu em 2005, quando o irmão oito anos mais novo, Pável Reymond, foi morar com ele, e passaram a jogar videogame de futebol juntos. "Criei o hábito de conversar a respeito das transferências, das lesões e desses filmes e séries."
Mesmo tratando de bastidores, "Jogada de risco" enfrentou o desafio de filmar partidas. Nesse aspecto, Reymond elogia o diretor argentino Juan José Campanella e a sequência do estádio Tomás Adolfo Ducó, em Buenos Aires, no filme "O segredo dos seus olhos", de 2009. Para alguns trechos de "Jogada de risco", foi necessário alugar o estádio Engenhão, no Rio de Janeiro.
O trabalho se insere na trajetória de Reymond como produtor. "Inicialmente, eu participava mais da área de captação [de recursos], mas, a partir do filme 'Uma quase dupla' [2018], eu comecei a me meter mais na produção mesmo", recorda.
Já a estreia na direção em apenas algumas sequências da série se deveu ao fato de que Reymond teve só três semanas entre as últimas gravações como o personagem César na novela "Vale tudo" e as primeiras como Maurício. "Pelo Bruno [Safadi], eu teria feito mais, mas estava exausto", lembra. "Dirigi sequências com os atores mais jovens, fazendo um balé com a câmera que é muito cinematográfico", diz, referindo-se à sequência de estúdio que filmou com os atores Breno Ferreira e Gabriel Caon. "Fizemos cenas sensíveis, delicadas e 18+."
Reymond destaca o elenco "muito plural" de "Jogada de risco": "Tem de MC Maneirinho e Marcos Frota a Mariana Sena, Letícia Colin, Marcelo Adnet e Rodrigo Lombardi, que se desconstrói completamente." Outro destaque é a atriz Nabiyah Be, filha do cantor jamaicano Jimmy Cliff, que morreu durante as filmagens, em 2025, aos 81 anos.
A pré-estreia de "Jogada de risco" ocorreu em 2 de junho durante o festival SXSW, em Londres, na primeira vez que uma produção brasileira integrou a programação oficial. "Foi um grande presente, pois nos deu um selo de qualidade internacional e abriu o mercado comercial para a série", afirma Reymond.
Ele está confirmado na segunda temporada da série "Tudo é justo", da Disney +, que tem no elenco Kim Kardashian e Glenn Close. Deverá estar também em "Avenida Brasil 2", prevista para estrear em janeiro de 2027. "Nunca imaginei que teria essa trajetória e falo isso com um sorriso no rosto", diz. "Minha história é de muitas superações, e gostaria que minha mãe estivesse viva para ver". A mãe do ator, a bailarina Denise Marques, morreu em 2019, aos 55 anos, em decorrência de câncer de ovário.
Valor
https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2026/07/29/para-caua-reymond-serie-jogada-de-risco-e-o-proibidao-do-futebol.ghtml





