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Sem precedentes? Mercado repercute B3 fora do ar por horas e impactos para a Bolsa

Sem precedentes? Mercado repercute B3 fora do ar por horas e impactos para a Bolsa

"Já vi dar problemas no final do dia, mas que não afetou a liquidação", disse um especialista em renda variável


Equipe InfoMoney

O Ibovespa iniciou a sessão desta sexta-feira (31) em alta - mas esse não foi o grande destaque. A B3 iniciou as suas operações com mais de duas horas e meia de atraso, em decorrência de problemas técnicos ontem no processamento do pós-mercado, o que está trazendo atrasos no início das negociações - o que pode trazer mais efeitos a médio prazo para a operadora da Bolsa.

Num primeiro momento, às 8h05 (horário de Brasília), a B3 enviou comunicado ao mercado falando de atraso nas operações, mas sem mais detalhes, enquanto alguns leilões de ações foram adiados para 12h03. Posteriormente, a operadora da Bolsa deu mais detalhes, com abertura prevista para 12h30 (horário de Brasília). As negociações dos índices futuros começaram por volta deste horário, enquanto o Ibovespa à vista passou a negociar depois do 12h40, com alta.

Operadores chegaram a citar se tratar de algo sem precedentes, pois todo o sistema de renda variável está fora do ar. "Já vi dar problemas no final do dia, mas que não afetou a liquidação", disse um especialista em renda variável que pede anonimato.

"Não lembro de ter dado problema nesse nível. Já vi o futuro abrir meia hora depois. Mas isso, de hoje, é novidade. Gera estresse, pois muda a rotina operacional dos operadores", afirmou à Broadcast, Rubens Cittadin, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

A postergação é negativa, porque a etapa de liquidação é extremamente importante para as operações, mas não deve haver impacto financeiro aos clientes da Bolsa brasileira. A avaliação é de Bruno Takeo, estrategista da S4Consultoria de Investimentos.

Entre os fatores que influenciam o mercado no início do último pregão de julho do Ibovespa está a queda do minério de ferro e incertezas com a Vale (VALE3) após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Além disso, a retomada da alta do petróleo realimenta preocupações inflacionárias e com juros elevados no mundo por mais tempo.

Há relatos de que o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC, na sigla em inglês) cogita suspender, por tempo indeterminado, as operações de óleo e o tráfego de navios-tanque até receber garantias de segurança de outros países.

A operadora da Bolsa informou, nesta sexta-feira (31) atraso na abertura do pregão de listados devido a problemas relacionados ao envio de arquivos e à abertura da Câmara B3

Em dia de agenda esvaziada de indicadores, ficam no radar ainda balanços e notícias corporativas. A Vale (VALE3), por exemplo, teve lucro líquido atribuível de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre deste ano, recuo de 35% ante igual período de 2025. Na comparação trimestral, a companhia teve lucro 27% menor.

Já o Santander anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar o restante das ações em circulação da sua unidade brasileira (SANB11), oferecendo um prêmio de 15%. A decisão, na visão do consenso dos analistas ouvidos pela Broadcast, vem na esteira do fraco desempenho do segundo trimestre, reportado na quarta-feira.

Ainda sobre o adiamento da abertura de vários serviços na B3 hoje, Cittadini diz que outra questão é quanto a uma eventual ampliação do debate de entrada de novas bolsas no Brasil. "Abre brecha por competição. Afeta a credibilidade", afirma. "Imagine uma empresa que não entrega o seu 'core' conforme o esperado. Desencadeia uma série de pensamentos que não se tem em dias de horários normais. O investidor conservador pode até não querer ir para a Bolsa."

Na mesma linha, Danilo Coelho, economista, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, considera que o episódio pode afetar a percepção de segurança dos investidores, principalmente estrangeiros. Para ele, falhas desse tipo reforçam uma visão negativa sobre a infraestrutura do mercado brasileiro.

"Infelizmente isso acaba deixando os investidores mais inseguros, principalmente os investidores internacionais, que já olham para o Brasil como um mercado emergente. Essas falhas operacionais não deveriam ocorrer. Acredito que deveria haver sistemas paliativos para permitir a abertura da bolsa em situações como essa", afirmou.

Devido à postergação no horário de abertura, as posições de clientes e bancos, inclusive as posições compradas, ficaram desatualizadas, apontou Cittadin.

O alongamento do início das negociações pode gerar debates quanto ao grau de confiança dos agentes na B3 e reduzir o fluxo financeiro da instituição, mas não de clientes, complementou. Paralelamente, diz que o evento pode diminuir a receita da Bolsa brasileira.

"O único ponto é: se houver impacto financeiro, seria para quem só consegue operar em determinado horário, no caso, nesta manhã", afirma o especialista da Manchester.

Conforme Takeo, da S4 Consultoria, se as alterações de horário se tornarem frequentes, pode ser desfavorável para a B3, de forma a contaminar a sua credibilidade. "Está longe disso, por enquanto."

Ontem, o Ibovespa encerrou em alta de 1,88%, aos 177.158,86 pontos, na máxima intradia, acumulando valorização de 2,98% em julho, depois de quatro meses de queda. Na semana, o avanço é de 1,79%.

(com Estadão Conteúdo)

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