O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), conversa com jornalista após desembarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo - Zanone Fraissat - 25.mar.26/Folhapress |
Eduardo Leite reluta em apoiar Caiado e quer a vaga

Eduardo Leite reluta em apoiar Caiado e quer a vaga

  • Leite pediu a Kassab tempo para tentar se viabilizar interna e externamente como candidato a presidente
  • PSD adiou o anúncio da candidatura para aplacar as divergências em torno dos nomes dos dois governadores

Dora Kramer

A saída de Ratinho Júnior da cena presidencial embolou o jogo e tensionou o ambiente no PSD. Dada como certa num primeiro momento, a candidatura de Ronaldo Caiado deslocou-se para o terreno da incerteza.

O anúncio, antes previsto para o final da semana, foi adiado para segunda ou terça-feira, podendo se estender para 3 de abril, a depender das tratativas. É que Eduardo Leite decidiu reivindicar a vaga. Pior: poderia não apoiar o colega. Pediu a Gilberto Kassab o adiamento porque se Caiado fosse anunciado de imediato, daria a impressão de que o papel dele, Leite, fora desde sempre decorativo.

Combinou-se, então, que seria dado ao governador do Rio Grande do Sul um tempo, uma chance de se posicionar publicamente para mostrar que teria condições de ser o candidato a presidente e, assim, tentar mudar internamente o rumo das águas correntes em favor do governador de Goiás.

Caiado ainda é o preferido dos conselheiros encarregados de fazer a escolha, mas o grupo começou a receber pressões de fora, de setores mais identificados com o centro por onde transitam empresários, intelectuais, ex-ministros, políticos e personalidades de peso na vida nacional.

Esse pessoal considera que Eduardo Leite estaria mais apto do que Caiado para carregar a bandeira da reconstrução do caminho do meio entre as correntes representadas por Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Não necessariamente para vencer agora, mas para acumular forças com vista à disputa em 2030.

Nessa perspectiva, o gaúcho levaria vantagem em dois aspectos: de geração (acabou de fazer 41 anos) e de visão de mundo mais próxima do chamado centro-democrático com um misto de pitadas de esquerda e plumagem tucana. O goiano tem 76 anos de idade e carreira política na direita.

Os argumentos, se não sensibilizam completamente o entorno de Kassab, são suficientes para funcionar como alerta na condução do processo, de maneira que do dissenso se chegue a um razoável entendimento com o mínimo possível de vidros quebrados pelo caminho.

Folha de S.Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/03/eduardo-leite-reluta-em-apoiar-caiado-e-quer-a-vaga.shtml