Vini Jr tenta passar pela marcação de Malo Gusto na derrota do brasil para a França, nos Estados Unidos - Foto: Michael Owens/Getty via AFP |
Brasil x França: desfalques amenizam atuação, mas derrota escancara diferença da seleção para rivais do alto escalão; análise

Brasil x França: desfalques amenizam atuação, mas derrota escancara diferença da seleção para rivais do alto escalão; análise

Seleção de Ancelotti se expôs quando tentou competir pelo controle do jogo, mas também saiu de campo com notícias positivas


Por Rafael Oliveira - Rio de Janeiro

A derrota do Brasil por 2 a 1 para a França, em Boston, nos Estados Unidos, certamente deixou os torcedores frustrados. Mas o que o confronto mostrou vai muito além do placar.

A enorme diferença do estágio dos dois trabalhos ficou escancarada. E, ainda assim, em alguns momentos a seleção de Carlo Ancelotti conseguiu competir e até sonhou com um empate. Mas a verdade é que, se ele tivesse vindo, talvez mascarasse o quanto o técnico italiano precisa trabalhar até a Copa.

O tal equilíbrio que Ancelotti queria ver não deu as caras. Mais defensivo no começo do jogo, o Brasil não sofreu nenhuma grande ameaça enquanto se fechou e buscou os contra-ataques. Não é a proposta que historicamente o torcedor está acostumado a ver. Mas, dado o pouco tempo de trabalho e o estágio do rival, foi compreensivo. Os problemas apareceram mais quando Vini Jr, Raphinha e Cia tentaram competir pelo controle do jogo.

A quantidade de desfalques pesou. Do meio para trás, apenas Casemiro pode ser considerado titular. Além disso, a pouca quantidade de meio-campistas deixou o time ainda mais exposto quando perdia a bola na frente.

O primeiro gol, de Mbappé, ilustra bem isso. Quando o Brasil tentava pressionar os franceses, o desarme sofrido por Casemiro pegou a defesa desprevenida. Aí o talento rival tratou de resolver. Dembelé enfiou ótima bola para Mbappé por entre Leo Pereira e Bremer, que não conseguiram acompanhar o craque do Real Madrid.

Os primeiros minutos do segundo tempo até deram a impressão de que o Brasil havia corrigido este problema. O time passou sete minutos encurralando e criando chances contra a França sem ser ameaçado. E, quando Upamecano foi expulso por falta em Wesley, aí então é que o empate - e até a virada - pareceu ser questão de tempo. Só que ocorreu o contrário.

Com um a mais, o Brasil foi ainda mais para cima e intensificou a pressão. Só que ela foi mal feita e, diante de uma França já bastante entrosada para sair com facilidade, virou um prato cheio para os rivais.

O lance do segundo gol francês é uma combinação de tudo o que o Brasil não pode fazer na Copa: botes mal dados na saída de bola do rival e lentidão para recompor a defesa. O resultado foi a liberdade que Olise teve para avançar e acionar Ekitiké.

Esta fragilidade defensiva não foi o único problema. A quantidade de passes e de escolhas erradas chama a atenção. O primeiro se justifica pelo fato do time ter sido muito modificado pela quantidade de desfalques. Mas o segundo nem tanto, já que foram muitas decisões equivocadas também de jogadores experientes com a Amarelinha, como Casemiro e Vini Jr.

Inidividualmente, Vini Jr deixou muito a desejar. Ainda que não tenha se omitido da partida e sofrido a falta que origina o gol de Bremer, ele empilhou tomadas de decisão erradas. Já Raphinha vinha bem até ser trocado da direita para a esquerda, quando passou a deixar a desejar tanto no ataque quanto na defesa.

Se apareceu bem na frente na reta final, inclusive marcando o gol, Bremer acumulou erros atrás. Assim como Leo Pereira. Douglas Santos, por sua vez, não foi bem nas subidas e sofreu com os avanços franceses pelo seu corredor. Por fim, vale destacar a dificuldade de Ederson para sair com a bola.

Mas nem só de copo meio vazio foi feita partida do Brasil. Enquanto se propôs a defender de forma mais compactada, a seleção soube lidar com as investidas do quarteto Dembelé, Olise, Ekitiké e Mbappé (com Gusto se aproximando pela esquerda).

Além disso, Luiz Henrique confirmou seu potencial para ser um fator de desequilíbrio. Entrou muito bem no segundo tempo, abriu caminho com seus dribles e finalizou com perigo. Se ainda havia dúvida de que ele estaria na Copa, agora não há mais.

Quem também aproveitou a oportunidade e pôs seu nome no radar de Ancelotti foi Danilo, do Botafogo. Trouxe visão de jogo e um passe mais qualificado para um setor que carece de opções.

A ausência de Bruno Guimarães foi muito sentida, deixando Casemiro como o principal responsável por essas bolas na maior parte do jogo. Matheus Cunha foi bem por trás dos atacantes. Mas mostrou que, por melhor que seja, não vai substituir um armador.

Wesley também teve boa participação. Sua atuação defensiva e ofensiva mostrou que jogar com um zagueiro improvisado não precisa ser a única opção para a lateral direita.

Entre problemas e boas notícias, vale lembrar que, quando o grupo de jogadores da Copa se apresentar, terá três semanas de preparação para a estreia na Copa, contra Marrocos, dia 13 de junho. Tempo para se adquirir um mínimo de entrosamento e ajustar as dinâmicas que, hoje, de fato não estão funcionando. Se será suficiente para superar rivais em estágio mais avançado como Espanha e a própria França, só o tempo irá dizer.

O Globo
https://oglobo.globo.com/esportes/selecao-brasileira/noticia/2026/03/26/brasil-x-franca-desfalques-amenizam-atuacao-mas-derrota-escancara-diferenca-da-selecao-para-rivais-do-alto-escalao-analise.ghtml