Em 2018, Brian O'Kelley, 48, vendeu a AppNexus para a AT&T por US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões, conforme cotação atual). Apesar de ter se tornado bilionário com a transação, o empresário americano doou a maior parte da quantia, ficando com "apenas" US$ 100 milhões (R$ 543 milhões).
O que aconteceu
Brian O'Kelley foi o cofundador e CEO da AppNexus. Conforme o perfil do empresário no LinkedIn, a plataforma digital de publicidade foi fundada em seu próprio apartamento em 2007.Com a venda da AppNexus em 2018, O'Kelley se viu diante de um dilema: o que fazer com todo o valor recebido. Segundo a revista norte-americana Fortune, o empresário teve uma conversa com a esposa à época para discutir o destino do dinheiro que os havia tornado bilionários.
Na ocasião, o casal definiu que a família ficaria com menos de US$ 100 milhões. "Nós simplesmente calculamos um valor que achamos suficiente para comprar uma casa e coisas do tipo, e então dobramos esse valor e doamos o restante", disse o empresário à Fortune.
A riqueza tem limites
A decisão de renunciar a quase toda a fortuna distanciou O'Kelley de um título que ele não gostaria de ter. "Não acredito em bilionários. Acho isso simplesmente ridículo", explicou. Para ele, a decisão de limitar sua riqueza não se resume apenas à generosidade. "Nunca quisemos ter tanto dinheiro a ponto de não precisarmos fazer escolhas. Isso significa que não podemos ser completamente ridículos em relação à nossa vida", disse.Temos uma vida incrível, podemos fazer quase tudo o que queremos. Mas não podemos fazer tudo o que queremos -temos de discutir nosso orçamento como qualquer outra pessoa. Não entendo por que você precisa de US$ 200 bilhões, US$ 500 bilhões ou mesmo US$ 1 bilhão. A alegria de apreciar o que temos e fazer essas escolhas difíceis é realmente fundamental Brian O'Kelley, à Fortune
O empresário explica que fica incomodado com a possibilidade de seus filhos se acostumarem a uma vida de luxo. "Eu me sinto péssimo porque eles podem voar na classe executiva", disse. "Já voei tantas vezes em classe econômica ao redor do mundo que isso [viajar na classe executiva] é mimar a mim mesmo, mas não quero mimar meus filhos. Muito disso me faz pensar em como a vida parece aos olhos deles. Quero que eles tenham um pouco da luta que eu tive".
Segundo O'Kelley, acumular e ostentar bilhões apenas afasta os ricaços da realidade do restante do mundo. "Gostaria que mais pessoas se perguntassem: por que eu quero o estilo de vida que Jeff Bezos [fundador da Amazon] tem?". De acordo com a Forbes, Bezos é dono de um patrimônio avaliado em quase US$ 240 bilhões (mais de R$ 1,3 trilhão). Em junho, Bezos se casou em Veneza, na Itália, em uma festa luxuosa que causou polêmicas e protestos na cidade. Segundo a Fortune, o evento custou US$ 46 milhões (quase R$ 250 milhões).
Você não pode ter um iate, um helicóptero, uma ilha, um grande prédio com o seu nome e todas essas coisas, porque então você se torna meio detestável. Nenhum ser humano pode realmente apreciar isso Brian O'Kelley
Os bilionários representam "um desperdício de dinheiro incrivelmente ridículo" para O'Kelley. Segundo o empresário, ser um bilionário também é "diferente", separando a pessoa dos limites e das consequências que definem uma vida considerada normal. "Há algo sobre manter-se conectado à normalidade que é realmente muito importante", explicou. "Não quero um iate e nunca quero ser capaz de agir sem consequências. Acho que esse é o maior risco: como podemos ser responsáveis quando temos tanto dinheiro que podemos comprar qualquer coisa?".
A responsabilidade, para o empresário, é fundamental para aqueles que têm fortunas disponíveis. "Há dias em que penso: 'cara, gostaria de ter algum dinheiro', porque seria bom para minha empresa ter uma injeção de dinheiro. Seria ótimo se eu não precisasse pedir aos investidores de capital de risco. Mas você sabe o que é isso? É responsabilidade."
Atualmente, O'Kelley está à frente de uma nova startup, a Scope3. Anos após ter doado mais de US$ 1 bilhão, ele afirma que nunca entrará para o clube dos bilionários. "Nunca serei tão rico. Mesmo que a Scope3 seja imensamente bem-sucedida, doaremos esse dinheiro", garantiu.
Uol
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